Game Pass tinha meta de 77 milhões de assinantes e chegou a 30 milhões: o fracasso que explica a crise do Xbox

Game Pass tinha meta de 77 milhões de assinantes e chegou a 30 milhões: o fracasso que explica a crise do Xbox

Wall Street Journal aponta que desempenho abaixo do esperado do serviço de assinatura foi o gatilho direto para a maior reestruturação da história da divisão


A crise do Xbox tem um número concreto por trás: 30 milhões. É a quantidade atual de assinantes do Game Pass, segundo fontes consultadas pelo Wall Street Journal, em um relatório que liga diretamente o desempenho do serviço à onda de demissões e fechamentos de estúdios confirmada nesta semana.

A distância entre o que foi alcançado e o que era esperado é expressiva. A meta interna da Microsoft era chegar a aproximadamente 77 milhões de assinantes até 2027. O serviço está menos da metade do caminho, e nem a aquisição da Activision Blizzard por 68,7 bilhões de dólares nem a chegada dos jogos de Call of Duty ao catálogo foram suficientes para acelerar o crescimento no ritmo que os executivos projetavam.

A lógica que sustentava toda a estratégia de expansão do Xbox nos últimos anos era simples: mais estúdios, mais jogos, mais assinantes. A compra de dezenas de desenvolvedoras, incluindo franquias históricas como Bethesda e a própria Activision, foi feita com esse modelo em mente. Com o Game Pass estagnado em 30 milhões, o retorno sobre esses investimentos bilionários não se materializou, e a Microsoft passou a exigir uma reorganização profunda da divisão.

O resultado ficou visível nesta segunda-feira com a confirmação de 1.600 demissões imediatas, dentro de um processo que deve chegar a 3.200 funcionários ao longo do ano fiscal de 2027. Compulsion Games e Double Fine recuperaram a independência, Ninja Theory e Undead Labs serão vendidas para novos proprietários, e a Arkane Studios segue em processo de consulta para definir seu futuro, com Marvel’s Blade e Wolfenstein 3 mantidos em desenvolvimento independentemente do desfecho.

O dado do Wall Street Journal transforma o que parecia uma série de decisões isoladas em um quadro coerente: a reestruturação do Xbox não é uma resposta a jogos que fracassaram individualmente, mas a consequência de uma aposta estratégica de escala que não se converteu nos números de assinantes que justificariam o investimento.

Fonte: WSJ