Revelação de ex-artista da Naughty Dog sugere expansão do conceito de imunidade, o que poderia recontextualizar a jornada de Ellie e a decisão final de Joel.
Uma das premissas fundamentais da franquia The Last of Us pode estar prestes a sofrer uma desconstrução narrativa profunda. Em entrevista ao podcast Kiwi Talkz, Gabriel Betancourt, ex-artista de iluminação da Naughty Dog, revelou que Neil Druckmann possui planos para introduzir uma “congregação inteira” de pessoas imunes ao fungo Cordyceps em um eventual terceiro capítulo. O que aconteceu foi o vazamento de uma visão criativa que Druckmann teria compartilhado internamente, indicando que Ellie pode não ser a única anomalia biológica nesse universo e que o estúdio pretende explorar uma “história mais sofisticada” envolvendo múltiplos personagens com essa característica.
A relevância desta informação reside no potencial de impacto retroativo sobre os dois primeiros jogos. Para a indústria e para os fãs, isso importa porque a exclusividade da imunidade de Ellie é o motor de todos os dilemas morais da série: da missão de Joel no primeiro jogo ao luto niilista de Ellie na Parte II. Se a imunidade for revelada como um fenômeno mais comum, a “gravidade” da escolha de Joel no hospital de Salt Lake City, salvar Ellie em detrimento da “única chance de cura da humanidade”, é diluída, transformando o peso de sua decisão de uma tragédia global para um conflito estritamente pessoal e familiar.
O que muda na projeção narrativa de uma possível Parte III é a escala do conflito. Betancourt pondera que, embora a existência de outros imunes não absolva Joel (já que ele agiu sob a convicção de que Ellie era única), a introdução dessa comunidade mudaria o foco da sobrevivência individual para a política de grupos e a ciência da imunização. Estrategicamente, isso permitiria à Naughty Dog expandir o mundo de jogo para além do luto de Ellie, possivelmente explorando sociedades que conseguiram se reconstruir através da resistência natural ao fungo, algo que Druckmann já havia sinalizado ao mencionar o desejo de “entregar algo novo” em termos de estrutura de personagens.
No cenário atual de 2026, onde a Naughty Dog mantém silêncio sobre seus projetos futuros, o relato de Betancourt deve ser tratado com cautela analítica. Planos de pré-produção costumam ser alterados drasticamente e, após o lançamento da série da HBO, a pressão por manter a coesão do cânone é maior do que nunca. No entanto, se o estúdio optar por seguir esse caminho, The Last of Us Part 3 deixará de ser uma história de isolamento e esperança singular para se tornar um estudo sobre o que acontece com o mundo quando o “milagre” se torna coletivo, forçando Ellie a encontrar um novo propósito que não esteja atrelado apenas ao seu sangue.
