Sindicato francês aumenta estimativa de cortes, critica a gestão do estúdio e questiona o uso crescente de inteligência artificial
A situação na Quantic Dream parece mais delicada do que se imaginava inicialmente. Após o cancelamento de Spellcaster Chronicles, o estúdio francês passou a enfrentar uma profunda reestruturação interna que pode resultar em um número ainda maior de demissões do que o divulgado anteriormente.
O sindicato francês STJV (Syndicat des Travailleurs et Travailleuses du Jeu Vidéo), que já havia alertado para o risco de dezenas de cortes de empregos, atualizou suas estimativas e afirma que a medida poderá afetar até 115 funcionários. Além disso, a organização direcionou críticas severas à administração da empresa, apontando decisões estratégicas equivocadas e preocupações relacionadas ao uso de inteligência artificial.
Número de postos ameaçados aumenta
Em comunicado recente, o STJV informou que a previsão inicial de 95 demissões foi revisada após novas análises do plano de reestruturação apresentado pela empresa. Segundo o sindicato, o número real de vagas em risco pode chegar a 115.
A entidade também destacou que, caso essa estimativa se confirme, o processo deveria seguir um período de consulta mais longo com os representantes dos trabalhadores, conforme previsto pela legislação francesa. O sindicato questiona a duração estabelecida pela empresa e argumenta que os prazos adotados podem não estar de acordo com os requisitos legais aplicáveis a cortes dessa magnitude.
As negociações entre representantes dos funcionários e a direção da Quantic Dream continuam em andamento.
Acusações de dificuldades na comunicação interna
Outra crítica feita pelo STJV envolve a relação entre a administração e os representantes dos trabalhadores. De acordo com o sindicato, algumas medidas adotadas pela empresa teriam dificultado a comunicação interna durante o processo de reestruturação.
Entre as acusações está a suposta remoção de determinados canais de comunicação utilizados pelos representantes dos funcionários para manter contato com a equipe. O clima de insatisfação já teria resultado em paralisações organizadas pelos trabalhadores, incluindo uma nova greve de advertência que reuniu mais de uma centena de participantes nos últimos dias.
Inteligência artificial entra no centro da polêmica
Além das críticas ao processo de demissões, o sindicato também manifestou preocupação com declarações que indicariam a possibilidade de parte das funções eliminadas ser substituída futuramente por serviços terceirizados ou ferramentas de inteligência artificial generativa.
A alegação aumentou a tensão entre funcionários e administração, especialmente em um momento em que a indústria dos games debate o impacto da IA sobre empregos criativos e técnicos.
Até o momento, a Quantic Dream não respondeu publicamente às acusações relacionadas ao uso dessas tecnologias nem aos questionamentos apresentados pelo sindicato.
Decisões estratégicas seguem sendo contestadas
O STJV também voltou a criticar a forma como a empresa lidou com o encerramento de Spellcaster Chronicles. Segundo o sindicato, parte dos profissionais envolvidos no projeto poderia ter sido realocada para outras produções em andamento, em vez de ser incluída no plano de cortes.
Entre os projetos mencionados está Star Wars: Eclipse, título anunciado há vários anos e que continua em desenvolvimento. A entidade afirma que as decisões da liderança teriam contribuído para dificuldades tanto no projeto cancelado quanto no progresso da aguardada aventura ambientada no universo de Star Wars.
Futuro de Star Wars: Eclipse permanece indefinido
Apesar das controvérsias, a Quantic Dream reafirmou que Star Wars: Eclipse segue em produção. No entanto, o estúdio não revelou novos detalhes sobre o estágio de desenvolvimento do jogo nem indicou quando os fãs poderão receber atualizações concretas sobre o projeto.
Enquanto isso, a empresa enfrenta um dos períodos mais desafiadores de sua história recente, com negociações trabalhistas em andamento, críticas à gestão e incertezas sobre os próximos passos de sua reestruturação.
Fonte: STJV
