Build a Rocket Boy Enfrenta Processos Milionários por Uso de Software Espião

Build a Rocket Boy Enfrenta Processos Milionários por Uso de Software Espião

Estúdio de Leslie Benzies é acusado pelo sindicato IWGB de monitorar funcionários ilegalmente via Teramind e de práticas abusivas em demissões em massa.


A Build a Rocket Boy, estúdio fundado pelo ex-produtor de Grand Theft Auto Leslie Benzies, atravessa uma crise institucional sem precedentes que pode comprometer o futuro de seu projeto ambicioso, MindsEye. O que aconteceu foi a formalização de processos legais por parte do sindicato Independent Workers’ Union of Great Britain (IWGB), após a descoberta de que a empresa instalou o software de vigilância Teramind nos dispositivos dos funcionários sem consentimento prévio. O imbróglio teve origem em março de 2026, quando a liderança, sob o comando do co-CEO Mark Gerhard, mascarou a ferramenta de monitoramento invasivo sob o pretexto de ser um “software de segurança cibernética aprimorado”, desencadeando uma revolta coletiva que culminou em denúncias junto ao Information Commissioner’s Office (ICO) e ao ACAS.

A relevância deste caso reside na violação direta das leis de proteção de dados e da privacidade no ambiente de trabalho remoto. Para a indústria, isso importa porque o Teramind não se limita a monitorar a produtividade, mas registra atividades em tempo real dentro das residências dos colaboradores, o que o sindicato classifica como um ataque à dignidade básica da força de trabalho. Embora o estúdio tenha removido o software após os protestos iniciais, a recusa da diretoria em esclarecer quais dados foram coletados e como foram utilizados aprofundou a desconfiança. Estrategicamente, o silêncio da BARB diante das autoridades sugere uma fragilidade jurídica que pode resultar em indenizações de milhões de libras, drenando recursos vitais que deveriam ser destinados ao desenvolvimento tecnológico de seus títulos.

O que muda na trajetória do estúdio é a sobreposição de crises, já que, além da questão da vigilância, a Build a Rocket Boy enfrenta acusações graves relacionadas a uma onda de demissões em massa ocorrida em 12 de abril. O IWGB protocolou denúncias separadas alegando a prática de listas negras ilegais e a ausência de consultas coletivas obrigatórias antes dos cortes, o que é uma exigência legal rigorosa no Reino Unido. Para o mercado e para os investidores, essas alegações pintam um cenário de gestão tóxica que pode afastar talentos de alto nível, fundamentais para um estúdio que se propõe a competir com gigantes como a Rockstar Games. A acusação de sabotagem externa feita por Gerhard contra a Ritual Network parece, sob esta ótica, uma tentativa de desviar o foco de problemas estruturais internos.

Projeções indicam que o custo reputacional e financeiro destas ações legais pode forçar uma reestruturação na cúpula da empresa ou até mesmo atrasos significativos no cronograma de MindsEye. Em um cenário onde a transparência e a cultura organizacional tornaram-se métricas de sucesso tão importantes quanto a qualidade técnica, a Build a Rocket Boy posiciona-se agora como um estudo de caso sobre os riscos de uma liderança autoritária na era do trabalho digital. A ausência de uma resposta oficial até o momento apenas alimenta a narrativa de que o estúdio não possui uma defesa sólida contra as evidências apresentadas pelo sindicato, colocando em xeque a viabilidade de seus projetos de próxima geração.

Fonte: Multiplayer.it