Após desmembramento da equipe original, editora francesa sinaliza abertura para propostas inéditas do núcleo responsável pelo aclamado metroidvania.
O destino da equipe criativa por trás de Prince of Persia: The Lost Crown parece ter tomado um rumo inesperado dentro da reestruturação da Ubisoft. De acordo com o jornalista francês Gautoz, o mesmo que revelou a dissolução do time no final de 2024, a cúpula da editora estaria disposta a oferecer uma “segunda chance” ao núcleo de desenvolvedores do jogo. O que aconteceu, na prática, foi uma mudança de postura: após realocar a maioria dos integrantes para projetos como o próximo Rayman e Beyond Good & Evil 2, a Ubisoft agora estaria aberta a receber propostas de “ideias de jogos” vindas dos principais líderes criativos do título. A estratégia sugere que, embora o jogo de 2024 não tenha atingido as metas de vendas, o talento técnico demonstrado foi considerado um ativo valioso demais para ser diluído permanentemente.
A importância desta movimentação reside na preservação da identidade autoral dentro de uma gigante corporativa. Historicamente, a Ubisoft enfrentou críticas por priorizar fórmulas de mundo aberto em detrimento de experiências mais focadas e mecanicamente refinadas, como o combate e o level design de The Lost Crown. Para a indústria, isso importa porque sinaliza que a empresa pode estar adotando um modelo de “incubadora interna”, permitindo que pequenos grupos desenvolvam protótipos de IPs inéditas ou novas abordagens para franquias clássicas sem o peso orçamentário de um título AAA convencional. Segundo Gautoz, esse grupo inicial é reduzido, mas possui autonomia para recrutar novos talentos conforme o projeto avance da fase de conceito para a pré-produção.
O que muda na trajetória desse grupo é o descolamento da obrigatoriedade com a marca Prince of Persia. Embora a IP continue sendo tratada como relevante internamente, com o remake de The Sands of Time ainda no horizonte, as novas propostas não precisam estar atreladas ao universo de Sargon. Isso abre caminho para que a expertise em side-scrolling e ação rítmica da equipe seja aplicada em universos completamente novos, possivelmente preenchendo lacunas no portfólio da Ubisoft para o final de 2026 e início de 2027.
No atual contexto de 2026, onde a Ubisoft busca otimizar seus pipelines de produção e recuperar o prestígio com a crítica especializada, reativar o time de The Lost Crown é uma jogada estratégica de baixo risco e alto potencial criativo. Para os jogadores, o rumor traz um alento após o encerramento prematuro do suporte ao título anterior: prova que o reconhecimento crítico (médias acima de 85 no Metacritic) ainda possui peso nas decisões executivas, mesmo quando não acompanhado de um sucesso comercial imediato. Se as “novas ideias” receberem o sinal verde, o legado técnico de The Lost Crown poderá florescer em uma nova obra com identidade própria.
