Veterano da Ubisoft é demitido após criticar retorno obrigatório ao escritório, gerando debate sobre gestão e liberdade de expressão
No turbilhão de reestruturações internas e cortes de custos, a Ubisoft voltou ao centro de um debate delicado sobre cultura corporativa e liberdade de expressão no ambiente de trabalho: um funcionário de longa data foi dispensado depois de criticar publicamente decisões da empresa.
David Michaud‑Cromp, desenvolvedor que trabalhou na Ubisoft Montreal por mais de 13 anos, confirmou em sua conta no LinkedIn que foi demitido com efeito imediato. A demissão vem apenas alguns dias depois de ele ter sido suspenso por ter feito comentários críticos sobre políticas recentes da Ubisoft.
Crítica ao retorno ao escritório se transforma em reação corporativa
A pedra no sapato foi a resposta de Michaud‑Cromp à decisão da Ubisoft de acabar com o modelo de trabalho híbrido e exigir que os funcionários retornem cinco dias por semana ao escritório. Em seu post, ele questionou a motivação da empresa para essa mudança, argumentando que “não somos totalmente idiotas” e que todos sabiam por que a Ubisoft estava fazendo isso.
Antes da demissão, ele havia recebido uma suspensão disciplinar de três dias sem pagamento, sob a alegação de violar uma obrigação de lealdade à empresa, algo que a Ubisoft classificou como base para aplicar medidas disciplinares em casos de supostas violações ao seu Código de Conduta.
Insatisfação além de um único caso
O episódio ocorre em um contexto maior de descontentamento interno. Recentemente, a Ubisoft anunciou uma ampla reestruturação que inclui fechamento de estúdios, cancelamento de projetos (como o Prince of Persia: The Sands of Time Remake), planos de cortes de até 200 empregos no escritório central em Paris e o fim do trabalho remoto, gerando protestos e até convocação para uma greve de três dias pelos sindicatos franceses.
Em canais internos, alguns funcionários demonstraram abertamente sua frustração com decisões da gestão, inclusive com críticas à estratégia de jogos como serviço e à liderança de executivos específicos, inclusive incitando debates sobre responsabilidade das lideranças frente aos erros acumulados.
Fonte: InsiderGaming
