Introdução
Granblue Fantasy: Relink sempre foi um daqueles jogos que dividem opiniões. Amado por uns, subestimado por outros. Lançado em fevereiro de 2024 após um longo e conturbado desenvolvimento, o título da Cygames conquistou um público fiel com seu combate dinâmico, elenco carismático e uma abordagem que lembrava Monster Hunter na reta final. Dois anos depois, chega Endless Ragnarok, uma expansão que não apenas adiciona conteúdo, mas também chega acompanhada de um lançamento para Nintendo Switch 2. A pergunta que fica é: será que essa “versão definitiva” entrega o que promete, ou é apenas mais do mesmo para os já convertidos?

A recepção mundial foi majoritariamente positiva, a versão para PC acumula um Metascore de 83, com 26 críticas favoráveis e nenhuma negativa. Mas, como qualquer boa expansão que se preze, Endless Ragnarok vem com suas contradições. É uma experiência que exige dedicação, paciência e, acima de tudo, amor pelo grind. E é exatamente sobre isso que quero falar.
História
Aqui começa o primeiro tropeço. A narrativa de Endless Ragnarok é, para ser franca, a parte mais frágil de toda a expansão. O enredo nos coloca diante do despertar de criaturas chamadas Ragnalia, supostos arautos de um evento apocalíptico, o Ragnarok que dá nome ao pacote. A premissa é promissora, mas a execução deixa a desejar.
A história é contada de forma esparsa, com longas sequências no estilo visual novel que explicam mitos de criação do mundo dos céus, mas que pouco fazem para desenvolver os personagens que conhecemos e amamos. Os momentos cinematográficos tão marcantes na campanha original são raros aqui. Os novos personagens, Fraux, Fedial, Eustace, Maglielle e outros, têm participação, mas suas tramas parecem quase uma formalidade: “suba a arma dela uma vez”, “cace monstros que você já caçou”. É superficial, quase mecânico.

A crítica mundial foi unânime nesse ponto. O Game8 deu nota 5/10 para a história, chamando-a de “esquecível” e destacando o ritmo inconsistente e os diálogos excessivos. O RPG Site foi na mesma linha, afirmando que a expansão “expande o que tornava o endgame de Relink atraente, mas às custas de uma narrativa sem graça”. O TechRaptor foi ainda mais direto: “a história é tão esparsa que parece uma reflexão tardia”.
E, olhando com carinho, eu concordo. Granblue Fantasy sempre foi sobre a jornada, sobre aquele sentimento de aventura compartilhada com uma tripulação excêntrica. Endless Ragnarok entrega batalhas, sim, mas esquece de dar alma a elas. É como um banquete sem tempero, você come, mas não sente o sabor.
Novidades e Conteúdo
É aqui que a expansão brilha, e como brilha. Se a história decepciona, o conteúdo novo é de cair o queixo.
Seis novos personagens jogáveis chegam de uma vez, cada um com estilos de luta únicos que lembram um jogo de luta em vez de um RPG de ação. A variedade é imensa e, para quem gosta de experimentar builds, é um prato cheio. Além disso, o sistema de Traços de Mestre (Master Traits) permite levar personagens além do nível 100, abrindo novas possibilidades de personalização.
O sistema de Invocações (Summons) é outra adição de peso. Agora você pode equipar e invocar criaturas durante as batalhas, adicionando uma camada tática que antes não existia. As batalhas contra chefes ganham um novo fôlego com essas ferramentas.
Mas a grande estrela é o modo Conflux, uma abordagem roguelike que muda completamente a dinâmica de grind. Em vez de repetir as mesmas missões na esperança de um drop específico, algo que podia ser exaustivo, o Conflux oferece recompensas escolhidas por você ao final de cada run. Quer materiais para sua arma? Escolha o pacote. Precisa de melhorias de status? Tem um pacote para isso. É uma mudança simples, mas revolucionária para quem passou horas rezando para o RNG.

Além disso, a expansão adiciona crossplay entre todas as plataformas, algo que a comunidade pedia há tempos, e uma porção generosa de novos chefes e missões. O Game8 estima que o conteúdo adicional dobra o tempo de jogo, facilmente ultrapassando as 20 a 30 horas. A Gamersky fala em 20 a 50 horas ou mais.
No entanto, há ressalvas. O modo Conflux é exclusivamente solo, uma decisão no mínimo curiosa para um jogo que sempre valorizou o cooperativo. E o cooperativo local é exclusivo da versão Switch 2. São escolhas que deixam um gosto amargo, especialmente para quem joga em grupo.
A dificuldade também é um ponto de tensão. Endless Ragnarok foi feito para veteranos, para aqueles que já têm personagens no nível máximo e estão prontos para o “Caos”. Para um jogador novo ou que voltou depois de um tempo, o choque é brutal. É uma expansão que não tem pena de quem não se preparou.
Conclusão
Granblue Fantasy: Relink – Endless Ragnarok é, acima de tudo, uma carta de amor aos fãs mais dedicados. É uma expansão generosa em conteúdo, que resolve muitos dos problemas do grind original e adiciona camadas de profundidade que mantêm o jogo vivo por dezenas de horas. O preço de US$ 29,99 é justo pelo que entrega, e a versão para Switch 2 torna a experiência mais acessível do que nunca.
Mas é também uma expansão que escancara suas próprias limitações. A narrativa fraca é uma sombra que persiste ao longo de toda a experiência, e a barreira de entrada para novos jogadores é alta demais para ser ignorada. A falta de cooperativo no modo Conflux e as restrições do multiplayer local são decisões que parecem desconectadas do espírito do jogo.
Para mim, Endless Ragnarok é como reencontrar um velho amigo depois de anos. A saudade é grande, a química ainda existe, mas você percebe que algumas coisas mudaram, e nem sempre para melhor. A emoção das batalhas épicas continua lá, o combate é tão viciante quanto antes, e a sensação de progressão é gratificante. Mas falta aquela centelha narrativa que fazia você se importar com o porquê de estar lutando.

Se você já é fã de Relink e tem um time de personagens pronto para o desafio, Endless Ragnarok é uma compra obrigatória. Se você está começando agora, vale a pena, mas prepare-se para uma longa jornada até chegar no conteúdo que realmente importa. E se, como eu, você esperava uma história que emocionasse tanto quanto as batalhas impressionam, talvez seja hora de baixar as expectativas e apenas apreciar o espetáculo.
Porque, no fim das contas, Endless Ragnarok é isso: um espetáculo. Barulhento, exagerado, generoso até o excesso. E, às vezes, está tudo bem em se deixar levar pelo espetáculo, mesmo que a história por trás dele não seja tão memorável quanto deveria.
Copia fornecia pela TheoGames
