Mesmo com leve recuperação recente, relatórios financeiros apontam recuo severo no volume de vendas de títulos próprios e revelam os impactos de investimentos arriscados.
Os títulos produzidos pelos estúdios da Sony já não registram o mesmo desempenho comercial do início da era PlayStation 5. Um levantamento feito pelo jornalista Stephen Totilo, do boletim Gamefiles, com base nos relatórios financeiros que a gigante japonesa publica anualmente em maio, aponta para um cenário desafiador: o volume de vendas de jogos first-party para PS4 e PS5 vem encolhendo de forma consistente.
Para se ter uma ideia, no ano fiscal de 2020 a empresa comercializou 58,4 milhões de cópias de suas franquias exclusivas. Já no ano fiscal de 2024, esse montante recuou para 28,9 milhões, uma retração severa de praticamente 50%.
A trajetória dos números (2018 – 2025)
Os históricos oficiais divulgados pela Sony mostram as oscilações nas vendas de jogos próprios ao longo dos últimos anos fiscais:
–Ano Fiscal 2018: 54,1 milhões
-Ano Fiscal 2019: 49,2 milhões
-Ano Fiscal 2020: 58,4 milhões (Ápice)
-Ano Fiscal 2021: 43,9 milhões
-Ano Fiscal 2022: 43,5 milhões
-Ano Fiscal 2023: 39,7 milhões
-Ano Fiscal 2024: 28,9 milhões (Ponto mais baixo)
-Ano Fiscal 2025: 32,1 milhões
O teto histórico de 2020 foi impulsionado por uma combinação única de fatores. O PS4 contava com uma base gigantesca de usuários e recebeu títulos de peso como The Last of Us Part II e Ghost of Tsushima, além de Spider-Man: Miles Morales chegar surfando na estreia do PS5. Somado a isso, o período de isolamento social na pandemia inflou o consumo de games no mundo todo.
Os gargalos na produção e a estratégia de estúdios
Embora Totilo argumente que o recuo pós-pandemia deveria ter afetado o hardware na mesma proporção, analistas lembram que a escassez global de componentes travou a oferta de consoles PS5 nos primeiros anos, distorcendo comparações diretas.
Ainda assim, a estratégia da Sony enfrenta obstáculos claros:
- Jogos como Serviço (GaaS): A transição para o modelo focado em multiplayer tem sido dolorosa. O fracasso do shooter Concord, que foi retirado do ar com direito a reembolsos logo após a estreia, ilustra a dificuldade.
- Aquisições caras: A compra da Bungie por US$ 3,7 bilhões em 2022 pesou no balanço recente da empresa, gerando uma baixa contábil de US$ 765 milhões que acabou drenando recursos de outros projetos.
- Remasters e Remakes: Versões repaginadas não conseguiram sustentar o volume de vendas anterior.
Sinais de reação e novidades no horizonte
Após anos de queda contínua, o último ano fiscal (2025) mostrou um princípio de reação, subindo para 32,1 milhões de cópias graças ao fôlego de estreias como Ghost of Yotei, Death Stranding 2 e Days Gone Remastered.
A expectativa agora se volta para os próximos anúncios da empresa. Um novo State of Play está agendado para hoje, às 18h (horário de Brasília), prometendo novidades de peso, incluindo atualizações sobre o aguardado Wolverine da Insomniac Games.
Fonte: Gamefiles
