Com o lançamento de Assassin’s Creed Black Flag Resynced se aproximando, muitos jogadores terão a oportunidade de revisitar uma das histórias mais queridas da franquia. O remake promete trazer de volta a aventura de Edward Kenway no Caribe, agora com visuais renovados, jogabilidade aprimorada e novos conteúdos.
Mas antes de embarcar novamente nessa jornada, vale relembrar por que Assassin’s Creed IV: Black Flag marcou tantos fãs desde seu lançamento original.
Aviso: este texto contém spoilers completos da história de Assassin’s Creed IV: Black Flag, incluindo o final do jogo.
O contexto moderno: Abstergo e as memórias de Desmond
A história de Black Flag acontece após os eventos de Assassin’s Creed III. Depois da morte de Desmond Miles, a Abstergo consegue recuperar seu corpo e passa a usar seu DNA para acessar as memórias de seus ancestrais.
Esse material passa a ser chamado de Sample 17. A ideia da Abstergo Entertainment é transformar essas memórias genéticas em produtos de entretenimento, como se fossem experiências históricas vendidas ao público. Mas, por trás dessa fachada corporativa, a empresa continua ligada aos Templários.
Na prática, a Abstergo não está interessada apenas em criar jogos, filmes ou experiências interativas. Ela usa essas memórias para procurar artefatos da Primeira Civilização, descobrir segredos antigos e fortalecer o controle dos Templários sobre o mundo.
É nesse contexto que entramos nas memórias de Edward Kenway, um ancestral de Desmond e uma figura essencial para entender parte da linhagem Kenway, que também se conecta diretamente a Assassin’s Creed III.
Quem era Edward Kenway antes da pirataria?
Edward Kenway não começa a história como um Assassino, nem como um herói. Ele era um homem pobre, vindo de uma origem simples, que sonhava em conquistar riqueza, respeito e status.
Antes de virar pirata, Edward era casado com Caroline Scott. Ela vinha de uma família mais rica e influente, mas amava Edward mesmo sem ele possuir fortuna. O problema é que Edward não se sentia suficiente. Ele queria provar que era um homem de valor, voltar para casa rico e ser respeitado por todos que um dia olharam para ele com desprezo.
Essa ambição o leva ao mar. Primeiro, Edward se envolve com a vida de corsário, atacando navios inimigos com autorização da Coroa. Mas quando esse tipo de atividade deixa de ser legalmente aceito, muitos corsários passam a ser tratados como piratas.
É nesse caminho que Edward se perde. Ele deixa Caroline para trás, prometendo voltar um homem melhor, mas na verdade parte em busca de algo que nem ele mesmo entende completamente: riqueza, fama e uma sensação de grandeza que nunca parece chegar.
Duncan Walpole e a entrada acidental em uma guerra secreta
A jornada principal começa em 1715, quando Edward está em uma batalha naval durante uma tempestade. No meio do caos, ele encontra um homem misterioso usando trajes de Assassino: Duncan Walpole.
Depois de uma explosão, Edward naufraga em uma ilha e encontra Duncan novamente. O homem carregava documentos importantes e precisava chegar a Havana para um encontro com figuras poderosas.
Edward, enxergando uma chance de ganhar dinheiro, persegue Duncan, derrota o Assassino e toma seus documentos e roupas. A partir daí, decide se passar por ele.
Esse é o ponto que coloca Edward no centro de uma guerra que ele não entende. Ele não sabe direito quem são os Assassinos, não conhece os Templários e muito menos compreende o peso dos artefatos da Primeira Civilização. Para ele, tudo parece uma oportunidade de lucro.
Antes de deixar a ilha, Edward ainda salva Stede Bonnet, um comerciante atrapalhado que parece completamente deslocado naquele mundo de piratas, assassinos e conspirações. Bonnet acaba ajudando Edward a chegar até Havana, onde a farsa começa de verdade.
Havana, os Templários e o mistério do Observatório
Em Havana, Edward tenta manter a identidade falsa de Duncan Walpole. Ele participa de uma reunião com Laureano Torres, Woods Rogers, Julien du Casse e outros membros da Ordem dos Templários.
É nesse momento que ele descobre a existência do Observatório, um local antigo ligado à Primeira Civilização. O Observatório seria capaz de observar qualquer pessoa à distância, desde que houvesse uma amostra de sangue dessa pessoa.
Nas mãos dos Templários, isso seria uma ferramenta absurda de controle. Eles poderiam vigiar líderes, inimigos, aliados e qualquer figura importante do mundo.
Edward, no entanto, não enxerga o perigo de imediato. Ele percebe apenas que todo mundo está atrás do Observatório e conclui que aquilo deve valer muito dinheiro.
O problema é que sua mentira não dura muito. Os Templários descobrem que ele não é Duncan Walpole, e Edward acaba capturado. Durante a fuga, ele conhece Adéwalé, liberta outros prisioneiros e toma posse de um navio.
Esse navio é batizado de Gralha. A partir daqui, Black Flag deixa de ser apenas um Assassin’s Creed com tema de piratas e se transforma em uma verdadeira aventura naval.
O nascimento do Gralha e a vida em Nassau
Com o Gralha em mãos, Edward passa a navegar pelo Caribe, saquear navios, recrutar tripulantes, juntar recursos e fortalecer sua embarcação. O navio se torna praticamente um segundo protagonista da aventura.
Edward retorna a Nassau, a república pirata que funciona como um refúgio para homens como Benjamin Hornigold, Edward Thatch, Charles Vane, Jack Rackham e outros capitães que tentam viver longe do controle dos grandes impérios.
Para muitos piratas, Nassau representa liberdade. Para Edward, também representa oportunidade.
Ele aprende a comandar melhor o Gralha, atacar navios maiores e construir sua reputação como capitão. Ao mesmo tempo, continua obcecado pela ideia do Observatório. Enquanto seus amigos veem aquilo como lenda ou fantasia, Edward acredita que ali pode estar o grande prêmio que mudará sua vida.
Durante essa fase, Edward também vai atrás de Julien du Casse, um dos homens envolvidos com os Templários. Após se infiltrar em uma área de selva e eliminar o alvo, ele dá mais um passo em direção a um caminho que ainda não compreende totalmente.
Ele ainda não se vê como Assassino, mas já começa a agir como um.
James Kidd, Tulum e o primeiro contato real com os Assassinos
Um dos personagens mais importantes dessa fase é James Kidd. À primeira vista, Kidd parece apenas mais um pirata misterioso, mas ele sabe muito mais sobre Assassinos, Templários e o Observatório do que aparenta.
Kidd leva Edward até Tulum, uma base dos Assassinos escondida na selva. Lá, Edward conhece Ah Tabai, mentor da Irmandade dos Assassinos nas Índias Ocidentais.
Esse encontro é desconfortável. Os Assassinos não confiam em Edward, e com razão. Ao vender informações em Havana, ele entregou aos Templários dados importantes sobre esconderijos da Irmandade, colocando vários Assassinos em risco.
Edward também descobre que possui uma habilidade natural chamada Visão de Águia. Kidd percebe que ele tem um dom raro, mas Edward ainda usa esse talento apenas para benefício próprio.
Em Tulum, ele começa a entender que os Templários querem o Observatório para controlar pessoas. Mesmo assim, seu primeiro impulso ainda é pensar em dinheiro. Se todo mundo quer tanto aquele lugar, então ele deve valer uma fortuna.
Mary Read e a consciência de Edward
Mais tarde, Edward descobre que James Kidd, na verdade, era Mary Read disfarçada. Essa revelação é essencial para a história.
Mary é uma das personagens que mais influenciam Edward. Ela enxerga nele algo que ele mesmo ainda não consegue ver. Para ela, Edward poderia usar suas habilidades por uma causa maior, mas ele continua preso à ambição.
Enquanto Mary tenta puxá-lo para um caminho mais nobre, Edward insiste em correr atrás de fortuna, fama e reconhecimento. Ele usa informações, manipula pessoas e tenta se aproveitar tanto dos Assassinos quanto dos Templários.
Mary funciona como uma espécie de consciência para Edward. Ela não o vê apenas como um pirata egoísta, mas como alguém que ainda pode mudar.
O drama é que Edward demora demais para entender isso.
A queda de Nassau e o fim do sonho pirata
Enquanto Edward persegue o Observatório, Nassau começa a desmoronar. A cidade dos piratas sofre com doenças, falta de organização, escassez de suprimentos e pressão das autoridades.
Edward Thatch, o Barba Negra, tenta conseguir medicamentos para ajudar os piratas. Ele chega a atacar navios e tomar atitudes extremas para proteger Nassau, mas a situação está cada vez pior.
Com a chegada de Woods Rogers, agora governador, os piratas recebem uma oferta de perdão real. Alguns, como Benjamin Hornigold, consideram aceitar. Outros, como Charles Vane, veem isso como uma traição completa ao ideal de liberdade.
Nassau, que antes parecia uma terra livre, começa a se transformar em uma prisão. Os piratas precisam fugir, e Edward participa de planos envolvendo sabotagem, pólvora e um navio incendiário para romper o bloqueio.
Esse trecho mostra que o sonho pirata estava chegando ao fim. A liberdade sem estrutura, sem união e sem responsabilidade começa a ruir.
A morte de Barba Negra
Depois da fuga de Nassau, Edward reencontra Barba Negra. Thatch tenta se afastar da vida de guerra, mas sua lenda já atraiu inimigos demais.
Os britânicos atacam, e uma grande batalha começa. Barba Negra entra em combate como a lenda que todos temiam: gritando, lutando e usando sua própria fama como arma.
Mas nem a lenda é suficiente.
No meio da batalha, Barba Negra é cercado e morto. É um dos momentos mais fortes de Black Flag, porque mostra que aquela era dos piratas estava realmente acabando.
Para Edward, a morte de Thatch é mais uma perda profunda. Ele vê cair um mentor, um amigo e um símbolo da vida que ele acreditava querer.
Jack Rackham, Charles Vane e mais uma traição
Depois da morte de Barba Negra, Edward segue com Charles Vane e Jack Rackham em busca de pistas sobre o Sábio, Bartholomew Roberts.
Mas Rackham trai os dois.
Ele toma o Gralha e abandona Edward e Vane em uma ilha. Sem navio, sem tripulação e preso ao lado de um homem cada vez mais instável, Edward precisa sobreviver.
Vane começa a perder totalmente a cabeça. Ele culpa Edward pela traição, surta e se torna uma ameaça. No fim, Edward precisa caçá-lo pela ilha e derrotá-lo.
Esse trecho reforça uma ideia cada vez mais clara: a vida de pirata que parecia gloriosa no começo era marcada por traição, loucura e destruição.
Edward está cada vez mais sozinho.
Roberts, o Sábio e a conexão com Aita
Edward finalmente se aproxima de Bartholomew Roberts, o Sábio. Ele é a chave para encontrar o Observatório, pois carrega memórias ligadas à Primeira Civilização.
Dentro da mitologia da franquia, Roberts é uma reencarnação de Aita, marido de Juno. Antes da queda da Primeira Civilização, Juno tentou preservar Aita de alguma forma, espalhando seu código genético pela humanidade. Ao longo da história, diferentes pessoas nasceram como Sábios, carregando fragmentos de sua memória e de sua obsessão por Juno.
Roberts não é um aliado confiável. Ele tem seus próprios interesses, sua própria ambição e também vê as pessoas ao redor como ferramentas.
Em muitos sentidos, Roberts funciona como um espelho sombrio para Edward. Os dois são homens ambiciosos, movidos por liberdade, prazer e desejo de grandeza. A diferença é que Edward ainda pode mudar.
Hornigold, o Observatório e a traição de Roberts
Na busca por Roberts, Edward também enfrenta Benjamin Hornigold, antigo aliado de Nassau que agora se juntou aos Templários.
Hornigold representa outro pedaço do sonho pirata que morreu. Ele estava presente na formação de Nassau, mas escolheu outro caminho ao aceitar a ordem e o controle oferecidos pelos Templários.
Depois de lidar com Hornigold, Edward chega ao Observatório ao lado de Roberts. O local confirma tudo que os Templários procuravam: uma tecnologia antiga capaz de observar pessoas através de amostras de sangue.
Mas Roberts trai Edward. Ele bloqueia sua saída, entrega o pirata aos inimigos e foge com seus próprios planos.
Mais uma vez, Edward é usado por alguém que ele acreditava poder usar primeiro.
A prisão e a morte de Mary Read
Após a traição no Observatório, Edward é capturado e levado para uma prisão. Ele passa meses preso, debilitado e cercado pelas consequências de suas escolhas.
É na prisão que ele encontra Mary Read e Anne Bonny, também capturadas.
Mary está grávida e muito fraca. Edward tenta ajudá-la, tenta tirá-la dali, mas não consegue salvá-la.
Mary morre nos braços de Edward.
Essa é a grande virada emocional da história. Mary era uma das poucas pessoas que realmente acreditava que Edward podia ser melhor. Ela via nele algo além do pirata egoísta em busca de fortuna.
Quando ela morre, Edward finalmente entende que passou anos correndo atrás das coisas erradas. Riqueza, glória e o Observatório não preencheram o vazio que ele carregava.
Ele queria se sentir suficiente, mas perdeu quase todos ao seu redor tentando provar isso.
A redenção de Edward Kenway
Depois da morte de Mary, Edward muda de rumo. Ele não está mais atrás do Observatório por dinheiro. Agora, quer impedir Roberts, Torres e os Templários.
Edward passa a lutar ao lado dos Assassinos, não apenas por interesse, mas porque finalmente compreende o que está em jogo.
Ele primeiro vai atrás de Woods Rogers, depois segue para enfrentar Roberts. Ao derrotar o Sábio, Edward impede que ele continue usando o poder do Observatório para seus próprios interesses.
Em seguida, o alvo final é Laureano Torres. O Grão-Mestre dos Templários ainda quer usar o Observatório como ferramenta de controle.
Edward retorna ao local e enfrenta Torres. No confronto final, Torres reconhece que Edward mudou. O homem que antes só pensava em dinheiro agora luta para impedir que a humanidade seja vigiada e controlada.
Edward derrota Torres, e os Assassinos selam novamente o Observatório, impedindo que aquele poder continue sendo usado.
O epílogo: Jennifer, Haytham e o legado Kenway
Após a derrota de Torres, Black Flag entrega um dos finais mais bonitos da franquia.
Edward retorna ao esconderijo e encontra Anne Bonny cantando, enquanto ele olha para uma mesa vazia e lembra dos companheiros que perdeu. Barba Negra, Mary Read, Vane, Rackham, Hornigold e tantos outros ficaram pelo caminho.
É um momento silencioso e pesado, porque o jogo mostra que aquela aventura pirata custou caro demais.
Logo depois, Edward recebe uma notícia que muda sua vida. Sua esposa Caroline morreu, vítima de doença e abandono, mas deixou uma filha: Jennifer Scott.
Edward descobre que é pai.
Esse encontro com Jennifer muda o sentido do final. Edward passou a história inteira procurando riqueza, respeito e liberdade. Mas, no fim, encontra algo muito mais importante: uma família.
Ele decide voltar para a Inglaterra e assumir esse novo papel.
Mais tarde, vemos Edward no teatro com seus filhos: Jennifer e o pequeno Haytham Kenway. Para quem jogou Assassin’s Creed III, esse momento é muito importante, porque Haytham se torna uma figura essencial na história de Connor.
O final de Black Flag não fecha apenas a jornada de Edward. Ele conecta a história da família Kenway ao futuro da franquia.
O destino de Edward após Black Flag
Depois dos eventos do jogo, Edward retorna a Londres como um homem de posses. Ele investe em negócios, passa a apoiar a causa dos Assassinos e tenta corrigir parte do estrago causado pelos Templários em sua vida.
Ele também se casa novamente e tem Haytham Kenway.
Mas o destino de Edward é trágico. Ele morre em 1735, aos 42 anos, antes de conseguir ensinar Haytham sobre os Assassinos. Essa ausência acaba tendo consequências profundas para a franquia, já que Haytham cresce seguindo outro caminho.
Mesmo assim, a trajetória de Edward se completa de forma poderosa. Ele começa como um homem perdido, egoísta e ambicioso, mas termina como alguém disposto a lutar por algo maior do que si mesmo.
Por que a história de Black Flag continua tão forte?
Assassin’s Creed IV: Black Flag é lembrado por seus navios, sua exploração, suas batalhas navais e sua fantasia pirata. Mas o que realmente faz sua história durar é Edward Kenway.
Edward não começa como herói. Ele não quer salvar o mundo, não quer defender os Assassinos e não entende a guerra contra os Templários.
Ele quer dinheiro.
Mas, ao longo da jornada, perde amigos, é traído, vê o sonho pirata desmoronar e percebe que sua ambição machucou quase todos ao seu redor.
Essa transformação é o coração de Black Flag. O jogo começa como uma aventura de pirata e termina como uma história sobre arrependimento, amadurecimento, responsabilidade e redenção.
Com Assassin’s Creed Black Flag Resynced, essa história terá a chance de alcançar uma nova geração de jogadores. Se o remake conseguir preservar a força da jornada de Edward, teremos novamente uma das melhores narrativas da franquia em destaque.
Assista também à jornada de platina de Black Flag
Além de revisitar a história completa, também encarei a platina de Assassin’s Creed IV: Black Flag antes do lançamento de Resynced. Foram 93 horas no Caribe, incluindo campanha, objetivos opcionais, navios lendários, grind de recursos e o temido multiplayer até o nível 55.
Confira o vídeo completo da jornada de platina no canal RodLink:
Assista à jornada de platina de Assassin’s Creed Black Flag antes do remake
