Fim da mídia física no PlayStation gera mobilização dos fãs, mas decisão da Sony parece irreversível

Fim da mídia física no PlayStation gera mobilização dos fãs, mas decisão da Sony parece irreversível

Petições contra o abandono dos discos ganham assinaturas, enquanto a empresa já avança com a reestruturação de sua produção para a era totalmente digital.


A decisão da Sony de encerrar a distribuição de novos jogos em mídia física para PlayStation a partir de 2028 provocou forte reação entre parte da comunidade. Logo após a divulgação da informação, diversas petições online começaram a circular pedindo que a empresa reconsidere seus planos. Apesar da mobilização, há indícios de que a estratégia da companhia já está definida.

A mudança marca a transição definitiva para um ecossistema totalmente digital. Segundo as informações divulgadas, os jogos inéditos lançados para PS5 e para a próxima geração do PlayStation estarão disponíveis exclusivamente pela PlayStation Store, encerrando a distribuição de novos títulos em discos.

Nos últimos dias, o site Change.org passou a reunir diferentes campanhas contrárias à medida. Algumas delas já existiam há algum tempo e tinham pouca adesão, mas novas iniciativas surgiram após o anúncio e começaram a ganhar maior visibilidade.

A principal mobilização é liderada por Jade Pearce, CEO da varejista canadense PNP Games, cuja petição já ultrapassou a marca de 10 mil assinaturas. Ela relembra a apresentação da Sony durante a E3 de 2013, quando a empresa destacou como vantagem do PlayStation a possibilidade de emprestar, revender, trocar e colecionar jogos físicos, em contraste com a estratégia da concorrência na época.


Para os defensores da mídia física, o maior problema está na questão da propriedade. Diferentemente de um disco, que pode ser revendido, emprestado, doado ou preservado por colecionadores, uma compra digital representa apenas uma licença de uso vinculada à plataforma, sujeita às regras estabelecidas pela empresa.

Outro argumento levantado nas petições envolve o impacto econômico da mudança. O fim da mídia física pode afetar varejistas, distribuidores e toda a cadeia ligada à comercialização de jogos em formato físico, além de concentrar ainda mais o controle sobre preços e acesso aos conteúdos nas mãos das fabricantes das plataformas.

Entretanto, sinais vindos da própria estrutura da Sony indicam que a transição já está em andamento. Na fábrica da Sony DADC, localizada em Thalgau, na Áustria, aproximadamente 600 mil discos ainda são produzidos diariamente. Segundo informações divulgadas pela imprensa local, esse volume deverá cair drasticamente nos próximos anos.

Hoje, cerca de metade da produção da unidade está relacionada ao PlayStation, mas a expectativa da empresa é que essa demanda represente apenas uma pequena fração do volume atual até 2028. Enquanto isso, a Sony já direciona investimentos para novas áreas de atuação.

A companhia destinou cerca de 30 milhões de euros para ampliar sua divisão de micro-óptica, especializada na fabricação de microlentes. Funcionários da área de produção de discos já participam de programas de transição, e a produção em larga escala dessa nova tecnologia está prevista para começar em 2027.

Diante desse cenário, muitos analistas acreditam que as petições dificilmente serão suficientes para alterar os planos da empresa. Embora a Sony já tenha voltado atrás em decisões importantes no passado — como a obrigatoriedade de vincular uma conta da PlayStation Network em Helldivers 2, a substituição da mídia física pelo formato digital acompanha uma tendência de mercado que vem se consolidando há anos.

Nos últimos levantamentos do setor, as vendas de jogos em disco representam menos de 20% do mercado de software para PlayStation, percentual que continua diminuindo à medida que os consumidores migram para as compras digitais. Dessa forma, a estratégia da Sony é vista por muitos especialistas como um reflexo da evolução dos hábitos de consumo, ainda que continue dividindo opiniões entre jogadores e colecionadores.

Fonte: Change.org