Campanha de 30 anos da franquia teria custado mais do que o orçamento estimado de um jogo recente da série
A participação de Pokémon no Super Bowl LX não passou despercebida. A The Pokémon Company exibiu um comercial especial de aproximadamente um minuto como parte da campanha global “What’s Your Favorite? #Pokemon30”, criada para celebrar os 30 anos da franquia. O vídeo reuniu nomes de peso da cultura pop e do esporte mundial, como Lady Gaga, Charles Leclerc, Lamine Yamal e Jisoo, cada um destacando seu Pokémon favorito, em uma clara tentativa de reforçar o alcance multigeracional e multicultural da marca.
A ação, no entanto, rapidamente se tornou alvo de discussão nas redes sociais e fóruns especializados. O motivo não foi o conteúdo do comercial em si, mas sim o alto investimento envolvido. De acordo com estimativas do mercado publicitário norte-americano, 30 segundos de exibição durante o Super Bowl podem custar entre 8 e 10 milhões de dólares. Considerando que o comercial de Pokémon teve cerca de um minuto, o valor apenas pela veiculação pode ter chegado à casa dos 15 a 20 milhões de dólares, sem incluir custos adicionais de produção e cachês de celebridades.
O contraste entre esse investimento e os valores tradicionalmente associados ao desenvolvimento de jogos da franquia reacendeu uma crítica recorrente entre os fãs. Parte da comunidade aponta que o orçamento estimado de “Pokémon Legends: Z-A” gira em torno de 13 milhões de dólares, número inferior ao possível custo total do comercial exibido no evento esportivo mais assistido do mundo. Para esses jogadores, a comparação evidencia uma prioridade excessiva em marketing, enquanto os jogos ainda enfrentam críticas técnicas, especialmente em desempenho e acabamento visual.
Por outro lado, defensores da estratégia lembram que Pokémon é uma das marcas mais lucrativas da história do entretenimento, com receitas que vão muito além dos videogames, incluindo cartas colecionáveis, animações, filmes e licenciamentos. Nesse contexto, o Super Bowl surge como uma vitrine global capaz de fortalecer o valor da marca, alcançar novos públicos e reforçar o apelo emocional da franquia em um ano simbólico.
A discussão, portanto, vai além de números isolados e toca em um ponto sensível da indústria: o equilíbrio entre investimento em desenvolvimento e marketing. Enquanto o comercial cumpriu seu papel de gerar visibilidade e conversa, ele também escancarou uma insatisfação antiga de parte da base de fãs, que espera ver o mesmo nível de ambição refletido diretamente nos jogos.
No fim, a campanha de 30 anos de Pokémon prova que a franquia continua poderosa e relevante, mas também deixa claro que, para muitos jogadores, visibilidade não substitui evolução técnica.
