Review | Starfield no PS5 vale a pena? A aventura espacial da Bethesda finalmente chegou ao PlayStation

Review | Starfield no PS5 vale a pena? A aventura espacial da Bethesda finalmente chegou ao PlayStation

Durante muito tempo, Starfield parecia ser aquele tipo de jogo que jamais chegaria ao PlayStation. Lançado originalmente para Xbox Series e PC, o RPG espacial da Bethesda Game Studios finalmente desembarcou no PS5 em uma versão mais completa, acompanhada de atualizações importantes, suporte ao DualSense, melhorias para o PS5 Pro e novos conteúdos.

A chegada ao console da Sony é simbólica. Starfield foi um dos grandes nomes da nova fase da Bethesda sob o guarda-chuva da Microsoft, e vê-lo rodando no PlayStation 5 mostra como a estratégia multiplataforma ganhou força nos últimos anos. Mas a pergunta principal continua sendo simples: depois de todo esse tempo, Starfield ainda vale a pena?

A resposta é sim, mas com ressalvas importantes. Starfield continua sendo uma aventura espacial ambiciosa, cheia de sistemas, possibilidades e momentos de descoberta. Porém, também segue carregando limitações claras de ritmo, exploração, inteligência artificial e desempenho técnico.

Uma aventura espacial com DNA Bethesda

Starfield começa de forma simples. O jogador assume o papel de um minerador que encontra um artefato misterioso durante uma escavação. Esse contato inicial o coloca no caminho da Constelação, um grupo de exploradores em busca de respostas sobre os maiores mistérios do universo.

A premissa funciona bem porque entrega exatamente aquilo que a Bethesda sabe fazer: colocar o jogador em um mundo grande, cheio de facções, personagens, missões paralelas e escolhas de progressão. A sensação de sair de uma situação comum para algo muito maior é bem construída, e a história principal consegue manter o interesse com bons momentos de mistério e descoberta.

Ao mesmo tempo, Starfield não tem o mesmo impacto de um The Elder Scrolls ou de um Fallout em seus melhores momentos. A estrutura fragmentada do universo, dividida entre planetas, cidades, bases e telas de carregamento, prejudica um pouco a sensação de imersão contínua. A galáxia é enorme, mas nem sempre parece viva na mesma proporção.

Ainda assim, quando o jogo acerta, ele entrega aquela sensação clássica de “só mais uma missão” que prende o jogador por horas. Explorar uma instalação abandonada, encontrar uma missão inesperada, melhorar a nave ou descobrir uma nova cidade ainda gera bons momentos de envolvimento.

Exploração melhorou, mas ainda tem limites

Um dos pontos mais criticados de Starfield desde o lançamento foi a exploração espacial. A promessa de viajar pela galáxia criava a expectativa de uma experiência mais contínua, mas o jogo sempre dependeu bastante de menus, transições e viagens rápidas.

Na versão de PS5, a atualização Free Lanes ajuda a amenizar esse problema. As opções de navegação espacial ficaram melhores, há mais eventos aleatórios, encontros no espaço e possibilidades de interação durante as viagens. Isso torna a experiência menos engessada do que era originalmente.

Mesmo assim, Starfield ainda não entrega aquela fantasia plena de exploração espacial sem interrupções. As telas de carregamento são mais rápidas, mas continuam presentes. Pousar em planetas, entrar em áreas internas e viajar entre sistemas ainda depende de transições que quebram um pouco o ritmo da aventura.

A exploração em solo também varia bastante. Existem planetas visualmente bonitos, ambientes interessantes e bases com bons combates, mas também há muitos espaços vazios e atividades que se repetem. O jogo tem escala, mas nem sempre transforma essa escala em conteúdo realmente memorável.

Combate é um dos pontos mais fortes

O gunplay continua sendo um dos grandes acertos de Starfield. A Bethesda conseguiu entregar combates mais responsivos do que em seus RPGs anteriores, com boa variedade de armas, munições, equipamentos e estilos de abordagem.

Há espaço para jogar com rifles, pistolas, armas laser, explosivos e builds mais focadas em mobilidade. A mochila propulsora também contribui para deixar os confrontos mais dinâmicos, principalmente em ambientes com gravidade reduzida.

No PS5, o DualSense adiciona uma camada interessante à experiência. Os gatilhos adaptáveis e a resposta tátil ajudam a diferenciar armas e momentos de combate, enquanto alguns recursos do controle reforçam a sensação de estar pilotando uma nave ou explorando ambientes espaciais.

O problema é que a inteligência artificial dos inimigos nem sempre acompanha a qualidade do arsenal. Em muitos confrontos, os adversários demoram a reagir, se posicionam mal ou oferecem pouca ameaça real. Como o jogo também entrega muitos itens de cura e recursos, a dificuldade raramente pressiona o jogador de forma consistente.

Isso não torna os combates ruins, mas reduz a tensão. Starfield é divertido de jogar, porém poderia ser mais desafiador e imprevisível.

Progressão, escolhas e personalização

Como RPG, Starfield tem bons sistemas de progressão. A criação de personagem permite definir origem, características e estilo de jogo, enquanto a árvore de habilidades incentiva o jogador a evoluir de acordo com suas ações.

Em vez de simplesmente distribuir pontos em atributos tradicionais, o jogo recompensa o uso constante de certas mecânicas. Se você usa mais armas específicas, destrava melhorias relacionadas. Se investe em exploração, furtividade, persuasão ou pilotagem, novas possibilidades vão surgindo com o tempo.

Esse sistema cria uma relação interessante entre gameplay e evolução. O personagem cresce de acordo com o modo como você joga, e isso ajuda a tornar a jornada mais pessoal.

A personalização da nave também continua sendo um dos sistemas mais robustos. Modificar visual, armas, escudos, motores e compartimentos pode consumir bastante tempo, especialmente para quem gosta de transformar a nave em uma extensão do próprio personagem.

O problema é que nem todos os sistemas têm a mesma profundidade. Algumas missões secundárias e atividades paralelas acabam caindo em estruturas repetitivas, geralmente envolvendo invadir bases, eliminar inimigos ou recuperar itens. Existem bons momentos, mas a qualidade é irregular.

Visual e áudio constroem uma boa ficção científica

Visualmente, Starfield não busca realismo absoluto, mas acerta bastante na direção de arte. A ambientação espacial é elegante, com planetas, cidades, estações e interiores que carregam bem a identidade visual da Bethesda.

O jogo funciona melhor quando aposta no sentimento de descoberta. Entrar em uma nova cidade, caminhar por uma estação espacial ou observar a imensidão de um planeta ainda tem impacto. A iluminação e a escala ajudam a vender a fantasia de estar explorando uma galáxia cheia de possibilidades.

A trilha sonora também merece destaque. As composições reforçam o tom de aventura, mistério e grandiosidade, criando uma sensação constante de jornada. É um trabalho sonoro que combina bem com o ritmo mais contemplativo do jogo.

Por outro lado, alguns modelos de personagens, animações faciais e interações ainda carregam aquele “jeito Bethesda” de sempre. Não chega a comprometer a experiência, mas deixa claro que Starfield não está no mesmo nível técnico de outros grandes RPGs modernos em termos de apresentação cinematográfica.

Desempenho no PS5: muitas opções, mas nem sempre bem organizadas

A versão de PS5 chega com diferentes modos gráficos e opções de desempenho. No PS5 base, o modo desempenho mira 60 FPS e entrega uma experiência geralmente fluida em interiores e áreas abertas, mas ainda sofre em cidades mais pesadas, como Nova Atlântida e Akila.

O modo visual, por sua vez, prioriza qualidade de imagem e configurações gráficas mais altas, funcionando melhor travado a 30 FPS. Para quem prefere estabilidade e não se incomoda com uma taxa de quadros menor, esta pode ser uma boa opção.

No PS5 Pro, a situação é mais confusa. O jogo oferece várias combinações de modos, taxa de quadros e opções de imagem, incluindo recursos ligados ao PSSR. A liberdade é positiva para jogadores mais técnicos, mas pode confundir quem só quer escolher um modo simples e jogar.

O maior problema, no entanto, não é a quantidade de opções. O ponto mais preocupante está nos crashes e travamentos relatados na versão de PS5 e PS5 Pro. Durante testes técnicos divulgados após o lançamento, o jogo apresentou congelamentos e falhas que exigiam reiniciar a aplicação. Esse tipo de problema pesa bastante em um RPG tão longo, onde estabilidade deveria ser prioridade.

Quando Starfield está funcionando bem, a versão de PS5 é competente. O problema é que a experiência ainda parece precisar de correções. A Bethesda entregou uma versão com muito conteúdo e boas melhorias, mas o polimento técnico ainda não acompanha totalmente a importância desse lançamento.

Starfield vale a pena no PS5?

Starfield no PS5 é uma versão robusta de um jogo ambicioso, irregular e fascinante. Não é a revolução espacial que muitos esperavam em 2023, mas é uma aventura de ficção científica com personalidade, bom combate, ótima trilha sonora e uma quantidade enorme de conteúdo.

O jogo brilha quando deixa o jogador seguir sua própria curiosidade. Explorar sistemas, melhorar a nave, criar uma build, resolver missões de formas diferentes e mergulhar no mistério da Constelação continuam sendo partes fortes da experiência.

Ao mesmo tempo, suas limitações são claras. A exploração ainda é fragmentada, a inteligência artificial deixa a desejar, algumas missões secundárias perdem força pela repetição e o desempenho no PS5 precisa de ajustes mais urgentes, especialmente por causa dos crashes.

Para quem nunca jogou Starfield e gosta de RPGs grandes, ficção científica e liberdade de customização, esta versão de PS5 é uma boa porta de entrada. Para quem esperava uma transformação completa em relação ao lançamento original, a experiência pode decepcionar.

Starfield continua sendo um jogo de contrastes: grandioso, bonito e envolvente em vários momentos, mas também preso a escolhas de design e problemas técnicos que impedem a aventura de alcançar todo o seu potencial.

Veredito

Starfield chega ao PS5 em sua versão mais completa, com novos conteúdos, melhorias importantes e bons usos dos recursos do console. A aventura espacial da Bethesda ainda tem força, principalmente pelo combate, ambientação, trilha sonora e liberdade de progressão. No entanto, a exploração fragmentada, a inteligência artificial limitada e os problemas de estabilidade impedem que o jogo brilhe como poderia.

É uma boa experiência para fãs de RPG e ficção científica, mas ainda carrega defeitos difíceis de ignorar.

Agradecemos à Bethesda pelo envio da chave de Starfield para a produção desta análise.

Starfield no PS5 é uma bela aventura espacial, mas ainda limitada por velhos problemas

Starfield chega ao PS5 em uma versão completa e cheia de conteúdo, mantendo a força da ambientação espacial e do gunplay da Bethesda. Porém, problemas técnicos, exploração fragmentada e IA limitada impedem que a aventura alcance todo o seu potencial.

Prós

  • Boa ambientação espacial e excelente sensação de descoberta
  • Gunplay satisfatório e mais responsivo que em outros RPGs da Bethesda
  • Ótima trilha sonora
  • Sistemas interessantes de progressão e personalização
  • Uso competente do DualSense no PS5
  • Grande volume de conteúdo

Contras

  • Exploração ainda depende muito de menus e telas de carregamento
  • Inteligência artificial pouco desafiadora
  • Missões secundárias com qualidade irregular
  • Muitos modos gráficos podem confundir o jogador
  • Crashes e travamentos prejudicam a experiência no PS5 e PS5 Pro
8
Starfield chega ao PS5 em uma versão completa e ambiciosa, com ótima ambientação espacial, bom combate e muito conteúdo. Porém, a exploração fragmentada, a IA limitada e os problemas técnicos ainda impedem o jogo de alcançar todo o seu potencial.