Beta de estresse revela uma base sólida, foco em risco e recompensa e o comprometimento da Bungie em refinar Marathon, apesar de barreiras iniciais nos menus para novos jogadores e de “gastar” recursos não se compensar tão bem no loot.
Ontem às 15h teve início a beta de estresse de Marathon, novo projeto da Bungie. O teste não serviu apenas para medir a estabilidade dos servidores, mas também para apresentar ao público a proposta do estúdio. Trata-se de um shooter de extração competitivo, tático e punitivo.
De início, a beta se mostrou genuinamente divertida. As partidas conseguem criar tensão constante e aquela sensação de risco que prende o jogador do começo ao fim. Mesmo em uma versão ainda em testes, já é possível perceber que existe uma base sólida de gameplay. Além disso, as atualizações recentes e as melhorias que a Bungie vem apresentando demonstram comprometimento em ajustar sistemas, ouvir feedback e fazer o projeto evoluir na direção certa. Isso transmite confiança de que o estúdio está atento à comunidade e quer que o jogo dê certo no longo prazo.

Diferente de um FPS tradicional focado apenas em confrontos diretos, Marathon se estrutura em torno de risco e recompensa. Assumimos o controle de Runners, mercenários que utilizam biocorpos sintéticos para explorar um planeta hostil em busca de recursos valiosos. Cada Runner possui habilidades próprias que definem seu estilo de jogo. Alguns são voltados para combate direto, outros priorizam defesa, infiltração, stealth ou suporte tático com foco em inteligência e controle de área.
A escolha do personagem influencia diretamente a abordagem dentro das partidas. Não é apenas uma decisão estética ou de equipamento inicial. As habilidades moldam o ritmo da equipe e a forma como cada confronto será enfrentado. Existem perfis com maior mobilidade para emboscadas, enquanto outros oferecem escudos, sensores ou ferramentas estratégicas que ajudam no controle do mapa.

As partidas acontecem em mapas amplos, com estruturas exploráveis, áreas abertas e múltiplos pontos de interesse distribuídos de forma vertical. A exploração é constante e exige atenção. Recursos podem ser encontrados em instalações abandonadas, caixas de suprimentos e estruturas industriais. Também é possível obter loot ao derrotar inimigos controlados pela inteligência artificial, que incluem biomáquinas hostis e criaturas alienígenas rápidas e agressivas.
Além da ameaça da inteligência artificial, outros jogadores representam o maior perigo. Todas as equipes compartilham o mesmo objetivo. Entrar, coletar recursos valiosos e conseguir extrair com vida. O simples som de tiros ao longe já altera o ritmo da partida. Cada decisão carrega peso. Avançar em busca de mais loot ou recuar para garantir a extração. Confrontar outra equipe ou evitar o combate.
A extração é o ponto central da experiência. Morrer significa perder tudo o que foi coletado naquela incursão. Esse sistema torna cada partida tensa e estratégica. Equipamentos raros oferecem vantagens reais no combate. A ausência deles pode dificultar progressos futuros. A progressão está diretamente ligada à capacidade do jogador de sobreviver e extrair com sucesso.

Um dos sistemas mais interessantes apresentados na beta é o modelo de evolução atrelado às corporações que patrocinam as expedições. Em vez de uma árvore de habilidades única para todos, a progressão depende das empresas com as quais o jogador escolhe trabalhar. Ao aceitar contratos específicos, é possível ganhar reputação e desbloquear benefícios exclusivos.
Esses contratos variam bastante. Podem envolver eliminar líderes de bases, sabotar antenas, roubar dados estratégicos ou simplesmente coletar e extrair determinados itens. Cada corporação oferece vantagens diferentes, o que torna a evolução mais personalizada. Jogadores que priorizam missões ofensivas desenvolvem perfis distintos daqueles que focam em infiltração ou coleta estratégica.
Apesar dos pontos positivos, uma crítica importante envolve os menus e o hub do jogo. A navegação pode ser confusa, especialmente para jogadores novatos que não estão acostumados com o gênero de extração. A quantidade de informações, contratos, inventário, reputação e customizações pode gerar uma sobrecarga inicial. Para o público mais casual, que busca apenas experimentar o jogo, essa complexidade pode se tornar uma barreira nas primeiras horas.

Durante a beta de estresse também foi possível perceber o cuidado da Bungie com o gunplay. O impacto dos disparos, o recuo das armas e o design de som demonstram refinamento. O áudio espacial contribui para a leitura de movimentações inimigas e aumenta a tensão em áreas fechadas. Visualmente, o jogo aposta em uma estética futurista limpa, com bom contraste de cores e ótima clareza visual mesmo em momentos de confronto intenso. Por se tratar de uma beta de estresse, alguns problemas técnicos apareceram, como instabilidades pontuais nos servidores e pequenos bugs visuais. Ainda assim, a base da experiência se mostrou consistente.
Marathon ainda precisará provar sua capacidade de manter engajamento a longo prazo em um gênero competitivo. No entanto, essa primeira impressão é positiva. A beta foi divertida, mostrou potencial e evidenciou o comprometimento da Bungie em aprimorar o projeto. Agora resta acompanhar como o estúdio irá refinar a experiência até o lançamento completo.
