Dados da Circana revelam um mercado estagnado onde títulos gratuitos e franquias históricas impedem o crescimento de novos jogos de US$ 70.
O fenômeno Fortnite continua a desafiar a lógica do tempo e da obsolescência tecnológica, consolidando-se como o título soberano no PlayStation 5 em 2026. Segundo relatórios da firma de rastreamento Circana, o Battle Royale da Epic Games mantém uma estabilidade impressionante desde 2022, criando um cenário de “bloqueio” para novos desenvolvedores que tentam oxigenar o mercado multiplayer. Para Mat Piscatella, diretor sênior da consultoria, o dado mais alarmante é que 56% de toda a base de usuários do console nos Estados Unidos engajou com o título pelo menos uma vez no último ano. Essa hegemonia revela um padrão comportamental que se cristalizou entre 2024 e 2025. Ao analisar o ranking de popularidade, percebe-se uma lista quase imutável: Fortnite divide o panteão com Call of Duty, Grand Theft Auto V, Roblox e Minecraft.
São títulos que não apenas oferecem entretenimento, mas funcionam como redes sociais onde a fidelidade do público é blindada pelo investimento de tempo e dinheiro acumulado ao longo de anos.
O cárcere dos amigos e a barreira dos 70 dólares
A análise retrospectiva da indústria reforça que o “topo” se tornou uma fortaleza impenetrável. Se em 2022 nomes como Apex Legends ainda flutuavam entre os líderes, em 2025 o cenário se fechou em torno de ecossistemas de serviço contínuo. O grande dilema enfrentado por estúdios de médio e grande porte em 2026 é econômico e social: convencer um jogador a desembolsar US$ 70 em uma nova propriedade intelectual é uma tarefa hercúlea quando todos os seus amigos e círculos sociais estão imersos em plataformas gratuitas e familiares. Novos títulos como Highguard sentiram o peso dessa barreira, enfrentando dificuldades extremas para capturar uma audiência mínima. A realidade é que, para um jogo novo florescer hoje, ele precisa lutar não apenas contra a qualidade técnica dos rivais, mas contra o efeito de rede que mantém os jogadores “presos” aos seus jogos de estimação.
Apesar do domínio absoluto, o ano de 2025 mostrou que ainda existem pequenas frestas para novos sucessos, desde que venham com o peso de nomes consolidados. Somente dois títulos conseguiram a proeza de romper o bloqueio dos dez mais jogados: Battlefield 6 e o novo Skate. Ambos se beneficiaram da nostalgia e de comunidades pré-existentes que clamavam por atualizações em suas respectivas fórmulas. Enquanto a indústria busca respostas para romper essa paralisia criativa, Fortnite e seus pares seguem ampliando suas esferas de influência, integrando shows, marcas e modos de jogo variados. O PS5, em 2026, parece ser menos um palco para novas histórias e mais uma central de acesso a metaversos já estabelecidos, onde a inovação é frequentemente sacrificada no altar da conveniência e da gratuidade.
