Crise na Ubisoft: Greve em Paris paralisa estúdio e expõe tensões na gestão de Yves Guillemot

Crise na Ubisoft: Greve em Paris paralisa estúdio e expõe tensões na gestão de Yves Guillemot

Mais de mil desenvolvedores interrompem atividades em protesto contra o fim do trabalho remoto e os cortes de gastos implementados pela diretoria francesa.


A Ubisoft enfrenta uma das maiores crises trabalhistas de sua história recente com uma paralisação massiva em sua sede na capital francesa. O movimento, iniciado em 10 de fevereiro, conta com a adesão de mais de 1.200 profissionais que decidiram cruzar os braços em resposta às diretrizes impostas pelo CEO Yves Guillemot. Os funcionários têm se concentrado diariamente em frente aos escritórios da empresa, sinalizando um descontentamento profundo com as recentes decisões estratégicas e administrativas da gigante dos jogos.

O estopim para a mobilização foi o anúncio de uma reestruturação severa que atinge diretamente a rotina e a estabilidade dos colaboradores. Entre as medidas mais polêmicas está a obrigatoriedade do retorno total ao regime presencial até o final de 2026, revertendo políticas de flexibilidade que se tornaram padrão nos últimos anos. Somado a isso, a companhia confirmou um plano de redução de despesas que inclui o cancelamento de diversos projetos, o adiamento de títulos de peso e a demissão de aproximadamente 200 funcionários como parte de um esforço para reequilibrar as finanças.

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Mando (@mrmandolino.itch.io) 2026-02-10T10:31:34.083Z

Insatisfação salarial e pressão produtiva nos escritórios

De acordo com representantes sindicais, a imposição do trabalho presencial foi a gota d’água para equipes que já operavam sob forte desgaste emocional e profissional. O sindicato Solidaires Informatique aponta que os trabalhadores sofrem com a ausência de reajustes salariais que acompanhem a inflação, enquanto a carga de trabalho aumentou significativamente devido aos cortes de pessoal. A percepção interna é de que a gestão está priorizando métricas financeiras em detrimento do bem-estar dos desenvolvedores, criando um ambiente de pressão constante. A tensão não se limita ao território francês e já ecoa nas unidades canadenses da Ubisoft, localizadas em polos como Montreal e Toronto. Nesses locais, a falta de uma estrutura sindical forte não impediu a manifestação de insatisfação, que resultou inclusive no desligamento de um funcionário após críticas internas às novas normas da empresa. Embora a Ubisoft alegue que a demissão ocorreu por violação do código de conduta, o episódio aumentou o clima de desconfiança entre os colaboradores internacionais.

Este cenário de instabilidade ocorre em um momento de transição crítica para a empresa, que busca se adaptar a um mercado de games com custos de produção cada vez mais elevados. A estratégia da Ubisoft tem passado por revisões constantes em seu portfólio, tentando focar em marcas consagradas enquanto busca suporte financeiro de investidores externos, como a gigante chinesa Tencent. Essa aproximação, que visa manter a família Guillemot no controle da companhia, também é alvo de debates acalorados entre os funcionários que questionam o rumo criativo do estúdio. Até o momento, a diretoria da Ubisoft não demonstrou abertura para renegociar a política de retorno presencial ou as condições salariais exigidas pelos grevistas. A paralisação, programada inicialmente para durar três dias, já se estabelece como um marco na organização trabalhista do setor de tecnologia na França. O desfecho desse conflito será determinante para definir como a empresa conseguirá entregar seus próximos grandes lançamentos em meio a um clima organizacional visivelmente abalado.