Relatos de falhas graves, demora no suporte e aumento no volume de reparos levantam questionamentos sobre o controle de qualidade do portátil fruto da parceria entre ASUS e Microsoft.
Quatro meses após chegar ao mercado, o ROG Xbox Ally X, console portátil desenvolvido em parceria entre ASUS e Microsoft, começa a enfrentar um cenário delicado. Usuários e profissionais da imprensa especializada têm relatado problemas técnicos significativos e dificuldades no atendimento de assistência, o que levanta dúvidas sobre a confiabilidade de um dispositivo posicionado no segmento premium. Um dos relatos que mais chamou atenção veio de Jennifer Young, jornalista do Windows Central. Segundo ela, o aparelho simplesmente parou de funcionar após poucos meses de uso normal. O console desligou sozinho, não voltou a ligar e passou a não responder nem mesmo quando conectado ao carregador, indicando uma falha possivelmente relacionada à alimentação ou à placa-mãe.
Ao procurar o suporte da ASUS, Young recebeu uma resposta pouco tranquilizadora. A empresa informou estar lidando com um “alto volume de reparos”, o que, por si só, já sugere que o caso pode não ser isolado. Além disso, foi mencionado que o aparelho poderia precisar ser enviado para fora do país para conserto, aumentando significativamente o tempo de espera. Embora o suporte não tenha confirmado uma falha sistêmica no modelo, a explicação deixou margem para preocupação.
Relatos se multiplicam entre usuários e redes sociais
O caso relatado pelo Windows Central não é um ponto fora da curva. Nas redes sociais e fóruns especializados, diversos usuários afirmam ter enfrentado problemas semelhantes com o ROG Xbox Ally X. Em alguns casos, as falhas são críticas, como desligamentos repentinos e impossibilidade de ligar o dispositivo. Em outros, surgem defeitos menores, mas igualmente frustrantes para um produto dessa categoria. Entre os problemas mais citados estão ruídos nos gatilhos e botões, que começam a surgir após poucos meses de uso. Alguns consumidores relatam que os gatilhos passam a fazer barulho mesmo com pressão mínima, enquanto outros mencionam rangidos constantes nos botões frontais. Há também queixas relacionadas a instabilidades de software, o que agrava ainda mais a experiência. Aqui existe um ponto cego comum entre consumidores entusiastas: a tendência de relativizar falhas iniciais por se tratar de um produto “de primeira geração”. Esse argumento perde força quando o preço entra na equação. Um dispositivo vendido por cerca de US$ 1.000 cria uma expectativa legítima de durabilidade, acabamento e suporte acima da média.
O cenário se torna ainda mais sensível quando se considera que o ROG Xbox Ally X teve pré-vendas esgotadas rapidamente, demonstrando forte interesse do público. Isso significa que um número expressivo de unidades já está em circulação e, potencialmente, uma parcela relevante pode apresentar problemas semelhantes nos próximos meses. Esse contraste entre sucesso comercial inicial e aumento na demanda por assistência técnica costuma ser um sinal de alerta na indústria de hardware. Historicamente, casos assim tendem a resultar em revisões de modelo, ajustes silenciosos na linha de produção ou, em situações mais graves, programas de reparo estendido. Até o momento, nem a ASUS nem a Microsoft emitiram um posicionamento oficial ligando diretamente os problemas ao ROG Xbox Ally X. Ainda assim, o volume de relatos e a admissão de um alto fluxo de reparos em tão pouco tempo não passam despercebidos. Se a situação não for endereçada de forma transparente, o impacto na confiança do consumidor pode ser significativo, especialmente em um mercado cada vez mais competitivo de PCs portáteis para jogos.
