A decisão reforça uma estratégia mais pragmática da editora japonesa em relação a DRM e preservação de catálogo.
A Capcom decidiu remover a tecnologia de proteção Denuvo de Resident Evil 4 Remake, quase três anos após o lançamento do jogo, ocorrido em março de 2023. A mudança foi identificada em atualizações recentes do título e deve agradar especialmente jogadores que evitam produtos associados a esse tipo de DRM. Em seu lugar, a empresa passou a utilizar o The Enigma Protector, uma solução menos controversa e com impacto técnico mais limitado. Embora tardia, a decisão sinaliza uma postura cada vez mais consistente da Capcom: o Denuvo passa a ser tratado como uma proteção temporária, útil no período inicial de vendas, mas descartável no médio prazo. Para uma empresa que aposta fortemente em vendas recorrentes e longevidade de catálogo, essa mudança não é trivial.
A remoção do Denuvo de Resident Evil 4 Remake não acontece no vácuo. Nos últimos anos, a Capcom adotou a mesma abordagem em diversos títulos de peso, incluindo Resident Evil Village, Resident Evil 2 Remake, Resident Evil 3 Remake, Monster Hunter Rise, Monster Hunter Stories 2: Wings of Ruin e Onimusha 2: Samurai’s Destiny. Em 2025, Kunitsu-Gami: Path of the Goddess também passou pelo mesmo processo. Aqui existe um ponto que vale ser questionado: se a própria Capcom reconhece que o Denuvo perde relevância após a janela inicial de vendas, por que insistir em mantê-lo por quase três anos em alguns casos? O atraso sugere menos uma convicção técnica e mais uma inércia corporativa, algo comum em grandes publicadoras, mas que cobra seu preço em percepção de marca.
Uma tendência que vai além da Capcom
Esse movimento não é exclusivo. A indústria como um todo parece reavaliar o custo-benefício do Denuvo ao longo do ciclo de vida dos jogos. A Square Enix removeu a tecnologia de títulos como Final Fantasy XVI, Forspoken e Octopath Traveler. A Bethesda fez o mesmo com Doom Eternal e Ghostwire: Tokyo. Warner Bros, Bandai Namco, KRAFTON, NEOWIZ e Gearbox também seguiram caminho semelhante em jogos recentes e consagrados. O padrão é claro: o Denuvo continua sendo usado como ferramenta de proteção comercial no lançamento, mas cada vez menos defendido como solução permanente. Isso enfraquece o argumento de que o DRM é indispensável para a saúde financeira de um jogo no longo prazo. Para parte da comunidade, a remoção do Denuvo vai além de ideologia. Há preocupações recorrentes envolvendo desempenho, consumo de recursos, compatibilidade futura e preservação digital. Mesmo quando o impacto técnico é debatível, a percepção negativa persiste, e as editoras sabem disso.
Nesse contexto, a decisão da Capcom é positiva, mas não isenta de críticas. A pergunta que fica é se a empresa não está apenas reagindo a uma pressão acumulada, em vez de liderar uma mudança mais transparente sobre o uso e a duração desse tipo de tecnologia. No fim, a retirada do Denuvo de Resident Evil 4 Remake tende a ser bem recebida, especialmente por jogadores que defendem DRM temporário como compromisso razoável entre proteção comercial e respeito ao consumidor. Ainda assim, o intervalo de quase três anos mostra que há espaço para a Capcom evoluir não só tecnicamente, mas também em comunicação e previsibilidade.
