Diretor de Call of Duty enfrenta crise após ressurgimento de falas contra gamers

Diretor de Call of Duty enfrenta crise após ressurgimento de falas contra gamers

Peter Berg, escalado para comandar a adaptação da Paramount, descreveu o hábito de jogar como “patético” e “fraco” em entrevista de 2013


A escolha de Peter Berg para dirigir a transposição de Call of Duty para os cinemas acaba de ganhar contornos de polêmica institucional. Declarações do cineasta, originalmente concedidas à revista Esquire em 2013, foram resgatadas pela comunidade técnica e viralizaram em fóruns como o ResetEra, gerando uma onda de desconfiança sobre a compatibilidade do diretor com a base de fãs da franquia. Nas falas de uma década atrás, Berg utilizou termos como “patético” e “fraco” para descrever entusiastas de simuladores militares, reservando o direito de jogar apenas a militares em serviço ativo.

Na época, Berg estava promovendo o filme O Grande Herói (Lone Survivor) e defendia uma visão de “virilidade americana” que via nos videogames uma fuga da realidade prejudicial à juventude. Para o diretor, dedicar quatro horas diárias ao entretenimento digital seria um sinal de falta de ambição e resiliência. O comentário mais contundente foi direcionado à “coragem de teclado” de quem joga títulos de guerra, afirmando que não suportava o gênero e que apenas soldados entediados em campo de batalha mereciam um passe livre para consumir Call of Duty.

A ironia do destino coloca Berg agora no comando de um projeto bilionário da Paramount, que busca revitalizar a marca Call of Duty após quedas de engajamento registradas em 2025. Com roteiro assinado por Taylor Sheridan (criador de Yellowstone), o filme é visto pela Microsoft e pela Activision como a peça central para expandir o alcance da IP para além dos consoles. No entanto, o fato de o diretor ter, no passado, insultado abertamente o público-alvo da produção levanta questionamentos sobre sua capacidade de respeitar a linguagem e a comunidade do meio que agora ele representa.

Embora especialistas de mercado apontem que as opiniões de Berg podem ter evoluído nos últimos 13 anos, o silêncio do diretor diante da repercussão atual alimenta a crise de imagem. O contraste entre a sua visão de “realismo militar” e a natureza lúdica da franquia é um desafio que a Paramount precisará gerenciar para evitar um boicote dos fãs mais engajados. Com estreia prevista para junho de 2028, a produção de Call of Duty inicia sua jornada sob a sombra de um conflito cultural entre a visão tradicionalista de seu diretor e a identidade digital de seu público.

Fonte: GamesRadar