Review | Nioh 3 eleva a série ao auge com combate impecável e mundo aberto ambicioso

Review | Nioh 3 eleva a série ao auge com combate impecável e mundo aberto ambicioso

A Team Ninja transforma completamente a fórmula da franquia com exploração em grande escala, dois estilos de combate distintos e o melhor sistema de luta já visto em um soulslike.

Desde sua estreia em 2017, a franquia Nioh conquistou um espaço muito próprio dentro do gênero soulslike. Inspirado pelas bases estabelecidas pela FromSoftware, o primeiro jogo da Team Ninja rapidamente se destacou graças ao seu sistema de combate profundo, chefes memoráveis e uma enorme variedade de builds.

Nioh 2 refinou praticamente todos esses elementos alguns anos depois, mas ainda seguia uma estrutura bastante semelhante ao original. Já Nioh 3 representa algo diferente: uma transformação muito mais ambiciosa da fórmula.

Depois de mais de 50 horas de gameplay e após conquistar a platina — algo que também fiz nos dois jogos anteriores da série — posso dizer com segurança que Nioh 3 é o melhor capítulo da franquia até agora.


Combate que continua sendo referência no gênero

Se existe algo que sempre diferenciou Nioh de outros soulslikes é o seu sistema de combate. Enquanto muitos jogos do gênero apostam em ritmo mais cadenciado, Nioh sempre abraçou um estilo muito mais técnico, rápido e baseado em domínio mecânico.

Em Nioh 3 esse sistema chega ao seu ápice. A sensação de impacto das armas é fantástica, os inimigos possuem comportamento agressivo e inteligente, e o número de possibilidades táticas é simplesmente enorme.

A principal novidade aqui é a introdução de dois estilos de combate distintos: Samurai e Ninja.

O estilo Samurai mantém a essência clássica da série, exigindo gerenciamento preciso de Ki, troca constante de posturas e leitura cuidadosa dos ataques inimigos. Já o estilo Ninja aposta em velocidade e agressividade, permitindo sequências rápidas de golpes e uso constante de habilidades de ninjutsu.

O mais interessante é que ambos podem ser alternados instantaneamente durante a luta, permitindo adaptar sua estratégia em tempo real dependendo do inimigo ou chefe enfrentado.

Essa flexibilidade faz com que cada batalha pareça dinâmica e cheia de possibilidades, algo que poucos jogos do gênero conseguem oferecer com tanta consistência.


A maior mudança da série: mundo aberto

Outra transformação significativa está na estrutura do jogo. Diferente dos títulos anteriores, que utilizavam missões lineares, Nioh 3 apresenta grandes regiões de mundo aberto inspiradas em diferentes períodos da história japonesa.

Durante a campanha, o jogador viaja entre várias eras — como o período Edo, a era Heian e outros momentos históricos — enfrentando guerras, conspirações e forças sobrenaturais.

Cada região funciona como um enorme campo de batalha repleto de atividades opcionais, chefes secretos, bases inimigas e colecionáveis. Durante minha jornada rumo à platina, explorar essas áreas foi constantemente recompensador.

Atividades como encontrar estátuas Jizo, derrotar mestres de combate, limpar crucíbulos e coletar Kodamas oferecem melhorias reais para o personagem, incentivando o jogador a explorar cada canto do mapa.

Essa nova abordagem torna a progressão muito mais orgânica e adiciona uma sensação de aventura que os jogos anteriores não possuíam.


História funcional, mas não é o foco

Assim como nos jogos anteriores, a narrativa de Nioh 3 não é o elemento mais forte da experiência. A história acompanha Takechiyo, herdeiro do clã Tokugawa, que precisa viajar no tempo para enfrentar uma antiga força maligna que ameaça o mundo.

Embora o enredo envolva personagens históricos e eventos importantes da história japonesa, ele funciona mais como um pano de fundo para levar o jogador entre diferentes cenários e batalhas.

Felizmente, as cutscenes são bem produzidas e rápidas, sem interromper o ritmo do gameplay.


Dificuldade elevada, mas justa

Nioh 3 continua sendo um jogo extremamente desafiador, mesmo para os padrões do gênero soulslike. Inimigos são agressivos, chefes possuem padrões complexos e qualquer erro pode resultar em morte instantânea.

Durante minha campanha, morri centenas de vezes — algo esperado dentro da proposta do jogo — mas raramente me senti frustrado. Os checkpoints são bem posicionados, os tempos de carregamento são rápidos e os atalhos ajudam a reduzir o tempo entre tentativas.

Essa combinação mantém o jogo desafiador sem torná-lo injusto.


Sistema de loot ainda divide opiniões

O sistema de loot continua sendo um dos aspectos mais complexos da franquia. A enorme quantidade de equipamentos, bônus e habilidades permite criar builds extremamente variadas.

No entanto, durante a primeira jogada muitos itens acabam sendo substituídos rapidamente por equipamentos com números maiores, o que pode tornar parte do gerenciamento de inventário um pouco cansativo.

Felizmente, o novo sistema de auto-equipamento ajuda a reduzir bastante o tempo gasto nos menus.


Uma evolução clara da franquia

Tendo platinado os três jogos da série e sendo fã de soulslikes há muitos anos, é impressionante ver o quanto Nioh evoluiu desde o primeiro título.

O combate continua sendo o grande destaque, o novo mundo aberto torna a exploração mais recompensadora e a quantidade de conteúdo disponível é enorme.

Mesmo após terminar a campanha e conquistar a platina, fiquei com aquela sensação clássica de querer continuar jogando — algo que poucos jogos conseguem provocar.

Veredito

Nioh 3 representa o ponto mais alto da franquia até agora. O combate continua sendo um dos melhores do gênero, a estrutura de mundo aberto amplia significativamente a experiência e a profundidade das builds garante dezenas de horas de gameplay.

Para fãs de soulslike ou da própria série Nioh, este é facilmente um dos melhores jogos do gênero nos últimos anos.


Agradeço imensamente a Koei Tecmo por conceder gratuitamente a chave para produção de conteúdo, o que possibilitou a confecção desta review.


 

Nioh 3

Nioh 3 representa o ponto mais alto da franquia até agora. O combate continua sendo um dos melhores do gênero, a estrutura de mundo aberto amplia significativamente a experiência e a profundidade das builds garante dezenas de horas de gameplay. Para fãs de soulslike ou da própria série Nioh, este é facilmente um dos melhores jogos do gênero nos últimos anos.
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Must Play