Alan Wake 2 e Control sustentam crescimento do estúdio, mas um projeto abaixo do esperado pesa no resultado anual.
A Remedy Entertainment divulgou seu mais recente relatório financeiro e apresentou um quadro financeiro marcado por contrastes claros. Embora o estúdio finlandês tenha registrado crescimento expressivo de receita impulsionado por Alan Wake 2 e Control, o ano fiscal de 2025 terminou com um prejuízo operacional relevante, atribuído principalmente ao desempenho abaixo das expectativas de FBC: Firebreak. No quarto trimestre de 2025, a Remedy alcançou uma receita de 17 milhões de euros, o que representa um crescimento de 46,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. O dado é significativo porque marca uma virada pontual nos resultados: após um 2024 deficitário, o estúdio conseguiu registrar um lucro operacional de aproximadamente 700 mil euros no trimestre final do ano.
De acordo com a própria empresa, quase metade da receita trimestral veio diretamente das vendas e royalties de jogos single-player. Nesse grupo, Alan Wake 2 e Control seguem como os grandes responsáveis pela estabilidade financeira da Remedy, demonstrando que o foco narrativo e autoral do estúdio continua encontrando forte aceitação no mercado. Alan Wake 2, em especial, permanece como um ativo estratégico. O título segue gerando receita consistente mesmo após o pico inicial de vendas, beneficiado por acordos comerciais e pela ampliação de sua base de jogadores ao longo do tempo.
Control mantém fôlego anos após o lançamento
Lançado originalmente em 2019, Control continua surpreendendo pela longevidade comercial. Apenas em 2025, o jogo vendeu cerca de 1 milhão de cópias, um desempenho expressivo para um título já consolidado. Parte desse novo fôlego é atribuída ao anúncio oficial de sua sequência, Control Resonant, revelada durante o The Game Awards, em dezembro, o que reacendeu o interesse do público e ampliou a visibilidade da franquia. Esse desempenho reforça a capacidade da Remedy de construir propriedades intelectuais duradouras, algo cada vez mais valioso em uma indústria marcada por altos custos e riscos crescentes. Apesar dos bons resultados pontuais, o principal fator por trás do prejuízo operacional anual foi FBC: Firebreak. O projeto não atingiu as metas internas de desempenho e acabou gerando um impacto direto nas finanças do estúdio. A Remedy não detalhou números específicos, mas deixou claro que o jogo ficou aquém das expectativas comerciais e estratégicas.
O caso evidencia os riscos associados à diversificação de projetos e reforça como um único título mal-sucedido pode comprometer o equilíbrio financeiro de um estúdio de médio porte, mesmo em um ano com bons lançamentos. O CEO interino da Remedy, Markus Mäki, que deve deixar o cargo em breve, comentou sobre o cenário com tom cautelosamente otimista. Segundo ele, a resposta inicial do público aos lançamentos mais recentes foi “excelente”, indicando que a base criativa e comercial do estúdio permanece sólida. A empresa demonstra confiança de que os resultados negativos de 2025 não refletem uma tendência estrutural, mas sim um desvio pontual causado por decisões específicas de portfólio. Outro ponto destacado no relatório foi a parceria com a Sony, que levou Alan Wake 2 ao catálogo do PlayStation Plus. O acordo se mostrou especialmente lucrativo, ampliando o alcance do jogo e garantindo uma fonte adicional de receita recorrente para a Remedy.
Essa estratégia reforça a importância de acordos de distribuição e serviços por assinatura como ferramentas de mitigação de risco, especialmente em projetos de alto orçamento e forte apelo narrativo. Mesmo encerrando 2025 no vermelho, a Remedy entra nos próximos anos com franquias fortes, visibilidade elevada e projetos ambiciosos em andamento. O desafio agora será transformar esse capital criativo em resultados financeiros mais consistentes no longo prazo.
