Projeto abandonado revelaria um shooter em terceira pessoa com forte foco em tecnologia, mundo aberto e ambições de GAAS dentro do ecossistema PlayStation.
Cerca de um ano após seu cancelamento oficial, Mirror Pond, o projeto como serviço da Bend Studio, voltou a chamar atenção com a revelação de novos detalhes inéditos. As informações surgiram a partir do portfólio profissional de um ex-animador do estúdio, que expôs materiais internos e animações de combate, oferecendo um vislumbre mais concreto do que o jogo pretendia ser antes de ser abandonado. De acordo com o material divulgado, Mirror Pond seria um shooter em terceira pessoa de mundo aberto, com uma temática militar futurista, distanciando-se de forma significativa do tom mais cru e realista de Days Gone. A proposta indicava uma experiência pensada desde o início como jogo como serviço (GAAS), com forte ênfase em progressão, variedade de inimigos e sistemas de combate expansíveis.
Um dos aspectos mais marcantes do projeto era seu foco em gadgets tecnológicos avançados. As animações reveladas mostram personagens utilizando drones ofensivos, torretas automáticas, habilidades especiais baseadas em projéteis e equipamentos futuristas que alterariam diretamente a dinâmica dos confrontos. Essa abordagem indicava um combate mais sistêmico e menos dependente apenas de armas convencionais. Diferentemente de Days Gone, onde o arsenal era mais tradicional, Mirror Pond parecia apostar em habilidades ativas, cooldowns e sinergias, características comuns em jogos como serviço modernos.
Grande variedade de inimigos e encontros
Segundo relatos de ex-desenvolvedores, o jogo contaria com mais de 30 tipos diferentes de inimigos, o que sugere uma preocupação clara em evitar repetição excessiva, um dos principais problemas apontados em mundos abertos focados em grind. Essa diversidade indicaria encontros mais variados, possivelmente com inimigos especializados em neutralizar gadgets, pressionar jogadores em grupo ou exigir abordagens táticas distintas. Esse número reforça a ideia de que Mirror Pond foi concebido para suporte a longo prazo, com espaço para atualizações, novos inimigos e eventos sazonais. Outro detalhe relevante diz respeito à base tecnológica do projeto. Ao contrário de Days Gone, que utilizava a Unreal Engine, a Bend Studio optou por abandonar essa solução e desenvolver Mirror Pond utilizando um motor interno da PlayStation. Embora não haja confirmação oficial, tudo indica que o estúdio passou a trabalhar com o Decima Engine, tecnologia criada pela Guerrilla Games e utilizada em franquias como Horizon e Death Stranding. O Decima é conhecido por sua capacidade de renderizar mundos abertos complexos, sistemas avançados de iluminação e grande flexibilidade para ambientes dinâmicos, características alinhadas com um GAAS de grande escala.
A adoção do Decima também sugere uma tentativa da Sony de padronizar tecnologias internas entre seus estúdios, facilitando compartilhamento de conhecimento e suporte técnico. Mirror Pond acabou sendo oficialmente cancelado em meio à reavaliação da estratégia de jogos como serviço da Sony, após diversos projetos do tipo enfrentarem dificuldades, atrasos ou cancelamentos. O encerramento do desenvolvimento também coincidiu com a saída de figuras-chave da Bend Studio, incluindo o diretor e o diretor criativo de Days Gone. Com isso, as chances de uma sequência direta para Days Gone se tornaram ainda menores, algo que o próprio estúdio nunca confirmou oficialmente, mas que vem sendo reforçado por mudanças internas e de liderança. Atualmente, a Bend Studio segue trabalhando em um novo projeto ainda não anunciado, sobre o qual existem poucas informações concretas. Rumores apontam que o título pode incluir elementos multijogador, mas não está claro se o estúdio continuará investindo em estruturas de GAAS ou se adotará um modelo híbrido mais contido. Entre os fãs, uma especulação recorrente é a possibilidade de a Bend retornar à franquia Uncharted, considerando sua experiência anterior com Uncharted: Golden Abyss, lançado para PS Vita.
Embora não exista qualquer confirmação nesse sentido, a hipótese surge como uma alternativa mais segura dentro do portfólio da Sony, especialmente após os riscos associados a projetos como Mirror Pond. No fim, os detalhes revelados deixam claro que Mirror Pond não era um projeto pequeno ou experimental, mas sim uma aposta ambiciosa, alinhada à estratégia da Sony de expandir seu catálogo de jogos como serviço. Seu cancelamento ilustra bem os desafios desse modelo, mesmo para estúdios experientes e com forte apoio interno.
