A mais nova moda nas redes sociais é transformar imagens reais em ilustrações no estilo artístico do Studio Ghibli utilizando inteligência artificial. Essa tendência tomou conta da internet, com usuários compartilhando versões estilizadas de si mesmos, paisagens e até objetos comuns com o visual encantador das animações do renomado estúdio japonês.
No entanto, Hayao Miyazaki, cofundador do Studio Ghibli e um dos mais respeitados diretores de animação da história, já expressou sua visão crítica sobre o uso de IA na arte, muito antes dessa tecnologia se popularizar.
A Opinião de Miyazaki sobre IA
Em 2016, durante uma apresentação de um projeto de inteligência artificial relacionado à animação, Miyazaki reagiu de forma fortemente negativa:
"Eu não consigo assistir a essa coisa e achá-la interessante. Quem cria essas coisas não tem ideia do que significa a dor. Eu estou completamente enojado. Se você realmente quer fazer coisas assustadoras, pode ir em frente e fazer. Eu nunca desejaria incorporar essa tecnologia no meu trabalho. Sinto fortemente que isso é um insulto à própria vida."
A posição do diretor reforça a resistência que muitos artistas tradicionais ainda têm em relação à IA na arte, especialmente quando usada para recriar estilos que demandam anos de dedicação e habilidade manual.
Uso Inadequado da IA Gera Controvérsias
Embora a trend tenha começado de forma inofensiva, alguns usuários começaram a utilizar a tecnologia de maneira questionável, transformando imagens de eventos trágicos, como o ataque de 11 de setembro de 2001, no estilo Ghibli. Essa apropriação gerou indignação e reacendeu debates sobre ética no uso da IA para manipulação de imagens.
Além disso, o aumento massivo de acessos às plataformas de geração de imagens causou sobrecarga em servidores e GPUs, dificultando o acesso para outros usuários.
A popularidade da IA na arte segue crescendo, mas a opinião de Hayao Miyazaki e do Studio Ghibli mostra que a aceitação dessa tecnologia ainda é um tema delicado no mundo da animação tradicional.