Abubakar Salim defende que o show precisa honrar décadas de lore acumulado, incluindo a moldura narrativa do presente que dividiu fãs por anos
O debate em torno da adaptação live-action de Assassin’s Creed para a Netflix ganhou uma voz inesperada. Abubakar Salim, ator que deu vida a Bayek em Assassin’s Creed Origins, usou uma entrevista ao Screen Rant para enviar um recado direto aos criadores do projeto: ignorar os elementos contemporâneos da franquia seria um erro.
A declaração toca em um dos pontos mais divisivos da história da saga. Durante anos, os jogos de Assassin’s Creed funcionaram com uma estrutura narrativa em duas camadas: o jogador explorava períodos históricos ricos por meio do Animus, mas o ponto de partida era sempre o presente, com personagens reais vivendo dentro de uma trama que envolvia a corporação sombria Abstergo e a luta contínua entre Assassinos e Templários no mundo contemporâneo. A linha de Desmond Miles, protagonista dos primeiros títulos e vivido por Nolan North, acumulou seguidores fiéis que viam nessa estrutura a espinha dorsal da mitologia da série.
O encerramento abrupto dessa narrativa em Assassin’s Creed 3 deixou uma ferida que parte da comunidade nunca esqueceu. Para um lado dos fãs, os segmentos do presente eram um entrave desnecessário à experiência histórica que tornava a franquia única. Para o outro, eram exatamente o que amarrava tudo e dava à saga uma dimensão maior do que simples aventuras ambientadas em épocas distintas.
É nesse contexto que a fala de Salim ganha peso. O ator argumentou que uma franquia com décadas de história acumulada nos games exige que os criadores da adaptação ouçam os fãs antes de tentar inovar por inovar. Na visão dele, o credo em si, os elementos históricos e os conteúdos contemporâneos formam o núcleo inegociável da identidade da série, e qualquer show que ignore essa estrutura estará falhando com quem cresceu dentro desse universo.
A série live-action voltou a ganhar tração no ano passado, com Toby Wallace e Lola Petticrew confirmados entre os protagonistas e filmagens já em andamento. A trama se passará em 64 d.C., em Roma, durante o Grande Incêndio da cidade, um cenário com potencial visual e dramático considerável. O que permanece sem resposta é justamente o ponto levantado por Salim: como, ou se, os momentos do presente serão incorporados ao formato televisivo. Até o momento, a produção não divulgou qualquer informação sobre esse aspecto da adaptação.
Fonte: GamesRadar
