Análise revela que Sony lucrou quase o dobro do Xbox ao levar jogos para plataformas rivais

Análise revela que Sony lucrou quase o dobro do Xbox ao levar jogos para plataformas rivais

Dados da Alinea Analytics mostram receita de 1,5 bilhão de dólares para o PlayStation no Steam contra 667 milhões do Xbox no PS5, mas as duas empresas estão tomando caminhos opostos


Uma análise publicada pela Alinea Analytics com dados de novembro de 2026 coloca em perspectiva numérica algo que o setor debatia de forma mais intuitiva: a estratégia da Sony de levar seus exclusivos ao PC foi financeiramente mais eficiente do que a aposta da Microsoft de distribuir seus jogos no PlayStation 5. Os números são expressivos. Os títulos PlayStation no Steam geraram aproximadamente 1,5 bilhão de dólares em receita, com cerca de 43 milhões de cópias vendidas.

O grande motor desse resultado foi Helldivers 2, com 12,7 milhões de unidades, seguido por Horizon Zero Dawn com 4,5 milhões, God of War com 4,2 milhões, Days Gone com 3,4 milhões e Marvel’s Spider-Man com 2,7 milhões. São números que refletem tanto a força das franquias quanto a receptividade do público de PC a jogos narrativos de alta qualidade.

O Xbox, por sua vez, gerou 667 milhões de dólares ao vender seus títulos no PS5, com um portfólio consideravelmente mais pulverizado. Forza Horizon 5 liderou com 5,8 milhões de cópias, Sea of Thieves aparece em segundo com 2,7 milhões, e os demais títulos apresentaram números bem mais modestos: Oblivion Remastered com 1,2 milhão, Grounded com 770 mil, Gears of War: Reloaded com 684 mil, DOOM: The Dark Ages com 567 mil, Indiana Jones e o Grande Círculo com 537 mil, e uma série de outros títulos abaixo da marca de 300 mil unidades, como Ninja Gaiden 4, Flight Simulator, Age of Empires II, The Outer Worlds 2 e Age of Mythology.

Vale um detalhe importante no caso do Xbox: parte da receita gerada pelas vendas no PS5 fica com a Sony, já que a fabricante cobra sua fatia sobre as transações realizadas na PS Store. Ou seja, os 667 milhões não vão integralmente para os cofres da Microsoft.

A ironia do cenário é que justamente a empresa que saiu melhor nessa equação decidiu abandonar a estratégia. A Sony já sinalizou claramente que não pretende continuar levando seus exclusivos narrativos ao PC, priorizando o ecossistema fechado do PlayStation como diferencial competitivo. A decisão foi tomada apesar dos resultados financeiros positivos, o que indica que o raciocínio por trás dela é de longo prazo: preservar o valor da plataforma e a exclusividade das experiências vale mais do que a receita adicional gerada pelos ports.

A Microsoft, por outro lado, segue no caminho oposto, ao menos por enquanto. Com a divisão Xbox atravessando uma crise financeira e buscando maximizar o retorno de seus investimentos, abrir mão de qualquer fonte de receita parece improvável no curto prazo. Mas os números da Alinea Analytics também revelam um limite dessa estratégia: com exceção de Forza Horizon 5 e Sea of Thieves, a maioria dos títulos Xbox no PS5 teve desempenho abaixo do esperado, sugerindo que o público PlayStation não está necessariamente interessado no catálogo da Microsoft da forma que os executivos esperavam.

A questão que fica é se a Microsoft continuará apostando nessa abertura mesmo diante de resultados que, comparados aos da Sony, mostram uma eficiência consideravelmente menor. Com a nova liderança do Xbox reforçando o compromisso com exclusividades e um novo selo visual para identificar títulos exclusivos no dashboard, há sinais de que a empresa começa a repensar até onde vai essa abertura. Os números, por si sós, não oferecem uma resposta definitiva, mas certamente alimentam o debate.