Diretor de Final Fantasy 7 Remake admite preocupação com renovação geracional da série, enquanto dados mostram que a maior parte do público atual já passou dos 30 anos
O debate levantado por Naoki Hamaguchi expõe um problema que a Square Enix vem tentando resolver há mais de uma década: Final Fantasy continua extremamente relevante como marca histórica, mas sua renovação geracional acontece em um ritmo muito mais lento do que o de outras franquias japonesas contemporâneas. A fala do diretor de Final Fantasy VII Rebirth deixa claro que a empresa enxerga dois públicos diferentes coexistindo dentro da mesma franquia. De um lado, os veteranos que cresceram com Final Fantasy VII, Final Fantasy X e os jogos da era PS1/PS2. Do outro, uma geração acostumada com experiências muito mais imediatas, competitivas e contínuas, moldadas por títulos como Fortnite, Roblox e Genshin Impact.
Os dados citados pela Circana são particularmente importantes porque desmontam a ideia de que o remake de FF7 conseguiu, sozinho, “rejuvenescer” a franquia. Se 70% da base de jogadores de Final Fantasy VII Rebirth tem mais de 30 anos, isso significa que a trilogia remake está funcionando majoritariamente como um produto de continuidade para fãs antigos, e não como uma porta de entrada massiva para novos jogadores. Existe também um problema estrutural que Hamaguchi e Naoki Yoshida reconhecem indiretamente: o tempo de desenvolvimento. Antigamente, a franquia lançava jogos em intervalos relativamente curtos. Hoje, um Final Fantasy principal pode levar seis, sete ou até oito anos para aparecer. Para alguém que tinha 12 anos no lançamento de Final Fantasy XV, o próximo contato relevante com a série principal pode acontecer já na vida adulta.
Enquanto isso, franquias como Persona 5, The Legend of Zelda: Tears of the Kingdom e até experiências multiplayer persistentes conseguem capturar jogadores jovens com uma identidade muito mais clara e consistente. Outro fator importante é que Final Fantasy perdeu parte da sua identidade universal. Durante décadas, bastava olhar para um jogo da franquia para entender imediatamente o que ele era: um RPG japonês cinematográfico, focado em party system, progressão clássica e narrativa épica. Hoje, cada novo capítulo parece seguir uma direção completamente diferente. Final Fantasy XVI se aproxima de um character action; Final Fantasy VII Rebirth mistura mundo aberto e ação híbrida; Final Fantasy XIV funciona como um MMORPG em expansão contínua.
Essa variedade agrada parte da base veterana, mas dificulta a formação de uma identidade clara para novos consumidores. Ao mesmo tempo, Hamaguchi parece entender que repetir eternamente a nostalgia de FF7 não resolve o problema. A parte mais interessante da entrevista talvez seja justamente quando ele fala sobre “experiências novas e únicas”. Isso sugere que a Square Enix começa a perceber que depender apenas de remakes, fanservice e legado histórico não garante relevância futura. A questão central agora é se a empresa conseguirá criar um novo Final Fantasy que funcione para uma geração que não possui qualquer ligação emocional com Cloud, Sephiroth ou os jogos do PS1. Porque, no momento, a franquia ainda parece viver muito mais de prestígio histórico do que de renovação orgânica de público.
Fonte: IGN
