Steam Controller esgota em minutos, e silêncio da Valve sobre scalpers gera reação negativa

Steam Controller esgota em minutos, e silêncio da Valve sobre scalpers gera reação negativa

Empresa reconhece falha na previsão de demanda, mas evita comentar revenda abusiva que dominou o lançamento.


O lançamento do Steam Controller foi marcado por uma demanda muito acima do esperado, levando o periférico a desaparecer das lojas virtuais em menos de uma hora. A Valve confirmou que subestimou o interesse do público e afirmou estar trabalhando na reposição do estoque, mas a comunicação oficial deixou lacunas importantes que rapidamente chamaram a atenção da comunidade.

Em nota publicada no Bluesky, a empresa limitou-se a reconhecer que nem todos os interessados conseguiram adquirir o produto e prometeu atualizações sobre a reposição. O posicionamento, no entanto, não abordou um dos principais pontos de frustração dos consumidores: a atuação de scalpers, que conseguiram adquirir grandes quantidades do controle para revenda imediata.

A velocidade com que o estoque foi esgotado ilustra a dimensão do problema. Ainda durante o período inicial de vendas, o prazo de envio já havia sido ampliado, saltando de poucos dias para mais de uma semana. Mesmo após se tornar indisponível, o Steam Controller continuava figurando entre os itens mais vendidos da plataforma Steam, evidenciando o volume de acessos e tentativas de compra concentradas em um curto intervalo.

Enquanto isso, plataformas de revenda como o eBay passaram a listar o controle por valores significativamente superiores ao preço original, em alguns casos chegando ao dobro ou triplo do custo inicial. Esse movimento reforça a percepção de que uma parcela relevante do estoque foi absorvida por intermediários interessados exclusivamente em lucro, e não pelo público final.

Outro fator que contribuiu para o cenário foi a ausência de um sistema de pré-venda ou qualquer mecanismo de controle de fila. Ao optar por liberar todas as unidades de uma só vez, a Valve acabou expondo o processo a bots e contas automatizadas, prática comum em lançamentos de alto interesse. A decisão já havia sido criticada antes mesmo da abertura das vendas, justamente pelo risco de favorecer esse tipo de comportamento.

A reação dos usuários também aponta para comparações inevitáveis com estratégias adotadas por outras empresas. A Nintendo, por exemplo, implementou medidas no lançamento do Nintendo Switch 2 que priorizavam compradores com histórico ativo em seus serviços online, dificultando a ação de contas recém-criadas. Diante do episódio, cresce a pressão para que a Valve adote soluções semelhantes em futuras reposições, especialmente considerando seus planos de expandir o ecossistema de hardware com novos dispositivos.

Fonte: GamesRadar