MOTORSLICE: Um Indie Brasileiro Ambicioso que Sonha Alto, mas Ainda Tropeça
Introdução
MOTORSLICE é, na minha opinião, um dos indies brasileiros mais ambiciosos e corajosos dos últimos tempos. Feito por apenas dois irmãos da Regular Studio, no interior do Brasil, o jogo tenta misturar parkour fluido, combate com motosserra, chefes gigantes e uma vibe slice of life dentro de um cenário pós-apocalíptico brutalista gigantesco. Lança amanhã (5 de maio de 2026) no PC, PS5 e Xbox Series, e já tem demo gratuita no Steam.

O que mais me chamou atenção foi o contraste: uma garota sonolenta, fofa, cheia de sardas (estilo anime/tomboy) chamada P, correndo com uma motosserra enferrujada no meio de estruturas absurdamente grandes. O marketing com GIFs dela viralizou e eu entendo o porquê. É um jogo que sonha alto, e isso já merece respeito.
Historia
A história é minimalista e eu gosto disso. Você é a P, uma Slicer contratada pra entrar em megastruturas, destruir máquinas e sair. Só que o lugar é enorme, vazio e opressor.
Na minha visão, o ponto forte da narrativa não é ter plot twists mirabolantes, mas sim criar uma vibe slice of life dentro de um mundo hostil. As cenas de preguiça, os diálogos com o drone Orbie e as interações com a própria P são bem fofas e humanas.

Não é uma história épica, mas eu curti o clima de solidão e rotina pesada. Funciona bem pro que o jogo propõe.
Gameplay
Aqui é onde eu tenho mais coisas pra falar.
O parkour tem potencial enorme. Quando acerta, o movimento é bem fluido e gostoso. Porém, na minha opinião, os controles são confusos e pouco responsivos. Eu pulei em falso várias vezes, confundi botões e isso me travou bastante no começo. Senti falta daquela simplicidade e precisão que eu tinha em Prince of Persia. Isso foi um ponto negativo forte pra mim.
O jogo como um todo me pareceu bem repetitivo. É basicamente andar, fazer parkour, lutar contra robôs e repetir isso o tempo todo. Em vários momentos eu parei de jogar porque senti que estava parado demais, sem evolução no gameplay.

O combate é misto pra mim. As lutas contra os bosses gigantes são ótimas, épicas mesmo, escalar e fatiar aquelas máquinas enormes é sensacional. Já contra as máquinas menores é bem frustrante. As lutas são limitadas, você morre fácil, mata fácil (hit-kill), e os checkpoints ficam longe demais. Isso transformou várias partes em algo chato e repetitivo, me impedindo de progredir com vontade.
Por outro lado, o visual retro com estilo anime ficou muito bonito. O contraste entre o ambiente cinza e brutalista com a P colorida é lindo. A trilha sonora DnB também é excelente, combina perfeitamente com o ritmo do parkour.

No desempenho, o jogo roda muito bem. Não enfrentei nenhum bug na demo, o que mostra o carinho que os irmãos colocaram no projeto.
Conclusão
Na minha opinião sincera, MOTORSLICE é um jogo com muita alma e identidade brasileira. Os dois irmãos da Regular Studio merecem todo o apoio por terem a coragem de fazer algo tão ambicioso com um time tão pequeno. Eu valorizo demais isso.