Analista sugere que transformar a divisão de games em uma empresa independente pode ser a única forma de salvar a marca da pressão por margens de lucro inalcançáveis dentro da Microsoft.
A discussão sobre o destino estrutural do Xbox ganhou um novo e contundente capítulo com as declarações de Rhys Elliott, analista da Alinea Analytics, que defende abertamente a separação da divisão de games do ecossistema direto da Microsoft. O argumento central de Elliott reside em uma disparidade financeira crônica: enquanto setores como Azure (computação em nuvem) e Windows entregam margens de lucro massivas e previsíveis, a indústria de games é inerentemente mais volátil e opera com retornos proporcionalmente menores.
Para o analista, manter o Xbox sob o mesmo guarda-chuva de Satya Nadella submete a marca a uma pressão por performance que muitas vezes asfixia a criatividade e a agilidade necessária para competir com rivais como Sony e Nintendo. A proposta de “libertar” o Xbox não seria uma manobra de abandono, mas sim um movimento estratégico para permitir que a marca, agora detentora de um portfólio gigantesco após as aquisições da Activision e Bethesda, opere com autonomia orçamentária e foco exclusivo em seu público core.
A transição para a liderança de Asha Sharma e o peso da autonomia
A nomeação de Asha Sharma como CEO da Microsoft Gaming (que iniciou oficialmente suas funções na última segunda-feira, dia 23 de fevereiro de 2026) é vista por Elliott como o momento ideal para essa transformação. O analista pontua que o Xbox deixou de ser uma divisão complementar para se tornar uma gigante que já possui musculatura suficiente para caminhar sozinha. Ao tornar-se uma empresa independente, o Xbox deixaria de ser o que Elliott chama de “uma nota de rodapé” nos relatórios trimestrais da Microsoft, ganhando liberdade para tomar decisões radicais sem a necessidade de espelhar o modelo de negócios de softwares corporativos.
Essa visão rebate indiretamente comentários pessimistas de figuras históricas da marca, como Seamus Blackley (co-criador do Xbox original), que recentemente comparou o atual estado da divisão a um processo de “cuidados paliativos”. Para a Alinea Analytics, o remédio não é o encerramento, mas a emancipação institucional. Embora a ideia de um Xbox independente pareça revolucionária, ela ecoa debates que permeiam os corredores da Microsoft há décadas. Nomes como Paul Allen já haviam sugerido a separação no passado, e executivos como Stephen Elop chegaram a considerar a venda total da divisão antes da ascensão de Phil Spencer.
Até mesmo Satya Nadella (no início de sua gestão como CEO da Microsoft) teria avaliado se os games eram realmente essenciais para o futuro da companhia. Sharma assume o comando em um cenário onde precisa provar que sua origem no setor de Inteligência Artificial pode coexistir com o desejo dos fãs por títulos exclusivos e experiências tradicionais. Enquanto Phil Spencer permanece em papel consultivo para suavizar a transição e Matt Booty assume a chefia de conteúdo, a pressão do mercado para que o Xbox assuma uma identidade própria e menos dependente das métricas do Windows nunca foi tão evidente.
