Reestruturação na Ubisoft expõe erros estratégicos

Reestruturação na Ubisoft expõe erros estratégicos

Yves Guillemot admite que expansão exagerada durante a pandemia resultou em caos operacional e agora a empresa foca em eficiência e suas franquias mais fortes. 


A Ubisoft, um dos maiores nomes da indústria de videogames, vive um momento turbulento. Recentemente a empresa anunciou uma reestruturação em larga escala que resultou em cancelamentos de jogos, demissões de funcionários e fechamento de estúdios, levantando dúvidas sobre a direção estratégica da companhia. 

“Demasiados projetos” e a origem da crise

Em entrevista à Variety, o CEO Yves Guillemot assumiu que a Ubisoft cometeu um erro ao lançar muitos projetos simultaneamente em resposta ao boom do mercado de games durante a pandemia de COVID-19. Na época, as expectativas de demanda contínua eram altas, mas essa situação não se materializou de forma sustentável. O resultado foi um aumento excessivo de iniciativas, que complicou os processos internos da empresa e acabou gerando atrasos, gasto de recursos e retrabalho. 

Segundo Guillemot, essa multiplicidade de projetos deixou a Ubisoft espalhada demais, prejudicando a capacidade de entregar games de alta qualidade com eficiência. Como consequência, vários títulos foram cancelados antes mesmo de serem anunciados publicamente, enquanto outros sofreram atrasos significativos no cronograma de lançamento. 

Cancelamentos e demissões: o que aconteceu

A reestruturação já provocou impactos concretos na produção e no quadro de funcionários da Ubisoft. Entre os projetos cancelados está o remake de Prince of Persia: The Sands of Time, um dos títulos mais aguardados pelos fãs, além de outros seis jogos que estavam em desenvolvimento. 

Além disso, a empresa implementou cortes de pessoal em diferentes regiões. Por exemplo, cerca de 40 desenvolvedores foram demitidos no estúdio Ubisoft Toronto, embora a empresa tenha garantido que o esperado remake de Splinter Cell ainda continue em desenvolvimento. 

Plano de cortes e foco na eficiência

Para estancar os efeitos da crise, a Ubisoft estabeleceu um plano de redução de custos de cerca de €200 milhões, o que inclui não apenas os cortes de pessoal, mas também ajustes de projetos, otimização de processos e uso mais eficaz de ferramentas internas. 

Guillemot deixou claro que a prioridade hoje é tornar a Ubisoft “mais focada e ágil”, com equipes fortalecidas capazes de oferecer jogos de alta qualidade, um movimento que reflete uma mudança estratégica clara depois de anos de expansão sem controle rigoroso de prioridades. 

O olhar para o futuro

Apesar do cenário desafiador, Guillemot também destacou que a Ubisoft continua investindo em suas principais franquias. O CEO confirmou que estão em desenvolvimento dois novos jogos da série Far Cry e vários títulos da franquia Assassin’s Creed, abrangendo experiências single-player e multiplayer, o que mostra que a companhia ainda aposta em suas marcas mais fortes para retomar estabilidade e sucesso no mercado. 

Esse movimento marca uma tentativa de reposicionar a Ubisoft após um período em que a empresa se espalhou demais em busca de crescimento, apenas para perceber que qualidade e foco são cruciais para se manter relevante e sustentável na indústria de jogos. 

Fonte: Variety