Capcom aposta em flexibilidade total de câmera para unir diferentes gerações de fãs

Capcom aposta em flexibilidade total de câmera para unir diferentes gerações de fãs

Resident Evil Requiem permitirá alternar livremente entre primeira e terceira pessoa


A Capcom revelou novos detalhes sobre Resident Evil Requiem e confirmou uma decisão de design que deve agradar públicos distintos: o jogo poderá ser jogado integralmente tanto em primeira quanto em terceira pessoa. A escolha não é apenas estética, mas parte central da experiência, a ponto de dividir opiniões até mesmo dentro da própria equipe de desenvolvimento. Segundo Koshi Nakanishi, diretor do projeto, o sistema foi pensado desde o início para funcionar de forma completa nas duas perspectivas. Ao assumir o controle de Grace ou Leon pela primeira vez, o jogador será convidado a escolher a câmera preferida. Diferente de abordagens anteriores da série, essa decisão não cria limitações, nem direciona o gameplay para caminhos distintos.

Um ponto importante é que o jogador não ficará preso à opção inicial. A qualquer momento, será possível alternar entre primeira e terceira pessoa diretamente no menu de configurações, independentemente do personagem controlado ou do estágio da campanha. A Capcom garante que todas as situações do jogo, incluindo exploração, combate e momentos narrativos, foram cuidadosamente ajustadas para funcionar bem em ambas as câmeras. Essa liberdade responde a uma crítica recorrente em jogos que oferecem múltiplas perspectivas, onde uma delas costuma parecer “secundária”. Em Resident Evil Requiem, a proposta é que nenhuma seja tratada como alternativa inferior. A equipe trabalhou animações, enquadramento, iluminação e leitura dos cenários levando em conta as duas formas de visualização.

Impacto direto na imersão e no terror

Nakanishi destacou que cada perspectiva gera sensações distintas. A primeira pessoa tende a intensificar o horror, criando maior proximidade com ameaças, sensação de vulnerabilidade e tensão constante, algo que marcou profundamente Resident Evil 7 e partes de Resident Evil Village. Já a terceira pessoa oferece melhor leitura espacial, maior consciência do ambiente e uma conexão visual mais tradicional com o personagem, alinhada ao legado moderno da franquia iniciado com Resident Evil 4. Essa diferença não é vista como um problema, mas como um benefício. De acordo com o diretor, a dualidade amplia a identidade do jogo e permite que cada jogador molde sua experiência de acordo com o que busca em um survival horror. Outro efeito direto dessa decisão é o aumento da rejogabilidade. A Capcom acredita que jogar Resident Evil Requiem uma segunda vez com uma câmera diferente pode resultar em uma experiência significativamente alterada, mesmo com a mesma narrativa e objetivos. Mudam a percepção de perigo, o ritmo da exploração e até a forma como o jogador reage a encontros com inimigos.

Essa abordagem também ajuda a conciliar diferentes perfis de fãs. Parte do público associa Resident Evil à câmera em terceira pessoa de títulos como Resident Evil 2 Remake e Resident Evil 4 Remake, enquanto outra parcela prefere a imersão direta da primeira pessoa introduzida nos capítulos mais recentes. Ao não forçar uma escolha única, a Capcom evita alienar qualquer um desses grupos. A presença de Leon, um dos personagens mais icônicos da série, naturalmente dialoga com a terceira pessoa clássica, enquanto Grace pode funcionar como uma porta de entrada para uma abordagem mais intimista e psicológica em primeira pessoa. Ainda assim, a Capcom reforça que essa associação não é rígida e que ambos os protagonistas foram projetados para funcionar plenamente nas duas câmeras.

Resident Evil Requiem será lançado em 27 de fevereiro para PC, PlayStation 5, Xbox Series S|X e Nintendo Switch 2, e tudo indica que o título pretende não apenas avançar a narrativa da franquia, mas também consolidar uma filosofia de design mais flexível, capaz de acomodar diferentes visões do que é Resident Evil.