Ex-diretor de Marathon reacende disputa judicial de US$ 200 milhões contra Bungie e Sony, agora com possibilidade de julgamento por júri
O veterano Chris Barrett, que já ocupou cargos de liderança em franquias como Marathon e Destiny 2 — voltou a acender um dos casos legais mais comentados do momento na indústria de videogames. Depois de ter sua ação inicial barrada por motivos processuais em 2024, Barrett reapresentou no dia 15 de janeiro de 2026 uma ação contra a Sony Interactive Entertainment e a Bungie no Delaware Superior Court, desta vez com um detalhe importante: o processo agora pode seguir para julgamento diante de um júri de 12 pessoas, algo que não era possível na instância anterior.
O cerne da disputa
Barrett argumenta que sua demissão da Bungie foi injusta e estratégica: segundo a acusação, Sony e Bungie o teriam dispensado sob a justificativa de “causa” para evitar pagamentos milionários que ele teria direito por acordos de retenção e participação fechados durante a aquisição da Bungie por parte da Sony. A alegação principal é que a demissão foi encenada para evitar um pagamento de cerca de US$ 50 milhões que Barrett teria garantido por contrato e que essa tentativa de reduzir custos motivou ataques à sua reputação junto à imprensa e à comunidade.
Além dos valores referentes a salários e bônus não pagos, a ação de US$ 200 milhões de Barrett também inclui pedidos substanciais por danos punitivos, prejuízos decorrentes de suposta difamação pública e possíveis violações de leis trabalhistas dos EUA, como regras sobre licença médica (FMLA). O processo ainda solicita a sua reintegração como Diretor de Jogo da franquia, um pedido incomum em disputas desse tipo, mas que reflete o desejo de Barrett de voltar ao projeto que liderou.
O que mudou em relação ao caso original
A grande diferença entre a ação atual e a que Barrett tentou apresentar no fim de 2024 é jurisdicional. A primeira reclamação foi arquivada porque o tribunal onde foi protocolada (o Chancery Court) não era o fórum adequado para esse tipo de litígio. Agora, com o caso no Delaware Superior Court, a possibilidade de julgamento por um grupo de jurados pode aumentar a pressão sobre as partes e alterar a dinâmica das negociações ou da própria condução da Justiça.
Bungie, Marathon e repercussões
Essa batalha legal acontece em meio a uma fase de transição na Bungie. O estúdio tem enfrentado desafios com o desenvolvimento e a recepção inicial de Marathon, um shooter de foco competitivo/extração cujo lançamento foi empurrado para 2026 depois de um período de críticas e ajustes em seu gameplay. Apesar de polêmicas, incluindo acusações de plágio envolvendo arte do jogo que foram posteriormente resolvidas com uma artista, o título parece estar ganhando novo fôlego, com pré-vendas que o colocaram entre os mais vendidos no Steam em sua categoria.
Enquanto isso, a relação entre Bungie e Sony segue sob escrutínio. A aquisição da desenvolvedora por parte da gigante japonesa em 2022, por cerca de US$ 3,6 bilhões, foi vista como um movimento para fortalecer o portfólio first-party da PlayStation, mas também levantou questões sobre autonomia criativa, estruturas de gestão e alinhamento de expectativas.
O que esperar a seguir
Com o novo processo agora formalmente aceito e prestes a poder ser levado a júri, os próximos capítulos dessa história devem refletir tanto nas ações legais quanto em como a Bungie e a Sony respondem publicamente, algo que ainda não ocorreu de forma detalhada nos autos. A evolução desse caso pode ter impacto não apenas sobre Barrett e seus direitos contratuais, mas também sobre como estúdios e grandes publishers lidam com aquisições, incentivos de longo prazo e conflitos internos em ambientes de desenvolvimento cada vez mais complexos.
Fonte: TheGamePost
