Night City é o verdadeiro vilão de Cyberpunk 2077, revela roteirista da CD Projekt RED

Night City é o verdadeiro vilão de Cyberpunk 2077, revela roteirista da CD Projekt RED

Segundo o escritor-chefe Tomasz Marchewka, a metrópole distópica sempre foi pensada como a principal força antagonista do RPG, acima de corporações e personagens icônicos


O escritor-chefe de Cyberpunk 2077, Tomasz Marchewka, revelou que a maior ameaça enfrentada pelos jogadores ao longo do RPG não é Adam Smasher, tampouco a poderosa Corporação Arasaka, mas sim a própria Night City. A afirmação ajuda a esclarecer a visão criativa da CD Projekt RED sobre a cidade futurista que serve como palco central da experiência.

“Bastante cedo, durante a pré-produção de Cyberpunk 2077, percebemos que Night City seria nosso principal antagonista”, explicou Marchewka em entrevista ao GamesRadar+.

Segundo ele, a intenção dos desenvolvedores era fazer com que a cidade não funcionasse apenas como cenário, mas como uma entidade ativa, capaz de moldar, corromper e destruir todos que vivem sob suas regras. De acordo com o roteirista, embora o jogo conte com vilões claros e conflitos diretos, a narrativa sempre esteve centrada em algo maior e mais abstrato.

“Claro que temos Arasaka, temos Adam Smasher e todos os outros caras, mas na verdade é Night City contra todos os outros, até mesmo contra os poderosos”, afirmou Marchewka.

Essa abordagem transforma a metrópole em uma força opressora constante, que independe de classe social, poder financeiro ou influência política. Em Cyberpunk 2077, ninguém está realmente acima da cidade. Executivos, mercenários, gangues e cidadãos comuns estão todos sujeitos às mesmas engrenagens de corrupção, violência e desigualdade que definem Night City. A ideia se reflete tanto na narrativa principal quanto nas missões secundárias, onde histórias pessoais frequentemente terminam de forma trágica ou agridoce, reforçando a sensação de que a cidade sempre cobra seu preço.

Uma leitura que parte dos jogadores já havia percebido

Marchewka também comentou que parte da comunidade captou essa intenção rapidamente. Para muitos jogadores, a exploração de Night City deixa claro que o ambiente em si é hostil, indiferente e frequentemente cruel, funcionando como um sistema que consome sonhos e transforma ambição em desespero. Essa percepção contribuiu para que o jogo fosse reinterpretado ao longo dos anos, especialmente após suas melhorias técnicas e narrativas. A cidade deixou de ser apenas um palco visual impressionante e passou a ser vista como um elemento narrativo central, com personalidade própria. A declaração de Marchewka surge no momento em que Cyberpunk 2077 completa cinco anos desde seu lançamento.

Em 2020, o jogo chegou ao mercado cercado de polêmicas, com sérios problemas técnicos, especialmente nos consoles da geração anterior. A situação foi tão grave que o título chegou a ser removido temporariamente das lojas digitais. Desde então, a CD Projekt RED promoveu uma reviravolta significativa. Atualizações extensas reformularam sistemas centrais, corrigiram falhas e expandiram o conteúdo, permitindo que a visão original do estúdio finalmente se concretizasse.


O renascimento do jogo foi consolidado com a expansão Phantom Liberty, que adicionou uma nova região, personagens inéditos e uma narrativa ainda mais densa politicamente. Mais recentemente, atualizações adicionais introduziram recursos como o sistema de metrô, aprofundando a imersão e reforçando a sensação de que Night City é um organismo vivo, em constante movimento. Hoje, Cyberpunk 2077 é frequentemente citado como um dos RPGs mais marcantes da era moderna, não apenas por sua ambientação visual, mas pela forma como utiliza a própria cidade como símbolo máximo de sua crítica social e narrativa. Ao definir Night City como o verdadeiro antagonista, a CD Projekt RED deixa claro que, no universo cyberpunk, o inimigo mais perigoso não é uma pessoa ou corporação isolada, mas o sistema inteiro que sustenta a distopia.