EA Sports reforça diretrizes para uso de IA após expansão agressiva da tecnologia interna

EA Sports reforça diretrizes para uso de IA após expansão agressiva da tecnologia interna

Empresa orienta equipes a usarem IA como apoio criativo e não como substituta do trabalho humano


A EA Sports está redefinindo como suas equipes devem lidar com inteligência artificial em seus processos criativos. Segundo documentos internos divulgados pelo Kotaku, a empresa estabeleceu novas diretrizes que determinam que a IA deve ampliar o potencial criativo dos desenvolvedores, e não atuar de forma autônoma. A política surge em um momento em que a companhia passa por uma transformação tecnológica acelerada, especialmente após sua aquisição por US$ 55 bilhões pela Arábia Saudita, movimento que ampliou drasticamente o uso de IA em várias frentes da empresa.

As novas orientações foram detalhadas por Paul Marr, vice-presidente e diretor criativo executivo da EA, durante uma apresentação interna. No material, Marr destacou que a IA precisa servir como uma ferramenta de apoio — capaz de elevar ideias, acelerar experimentações e resolver limitações técnicas, mas não deve ser tratada como substituta do trabalho artístico humano. Um dos slides enfatizava:

“Use a IA para estender sua ambição. Se você deixar a IA por conta própria, seu trabalho não será excepcional.”

A frase evidencia a preocupação da EA com resultados criativos vistos como “automáticos” demais, especialmente depois que a apresentação citou exemplos de campanhas publicitárias geradas por IA consideradas “desleixadas”, incluindo uma produzida recentemente pela Coca-Cola. A crítica interna sugere que a empresa teme que o uso indiscriminado da tecnologia prejudique a qualidade e a identidade visual de seus produtos.

O caso emblemático da capa de NHL 26

A apresentação destacou também um exemplo interno que se tornou central nessa discussão: a capa da Edição Deluxe de NHL 26. A arte apresenta Keith Tkachuk, ícone do hóquei, ao lado de seus filhos Matthew e Brady Tkachuk, ambos jogadores profissionais. A peça, porém, não foi criada inteiramente de forma tradicional. Para produzir a composição, a EA utilizou sua tecnologia proprietária, a EA Sports AI, de duas maneiras distintas:

  • Keith Tkachuk foi rejuvenescido digitalmente, com IA ajustando sua aparência para condizer com a estética desejada.
  • Matthew e Brady foram recriados por completo através de IA, já que os atletas não puderam participar das sessões fotográficas.

O resultado, segundo a EA, foi satisfatório, mas também serviu como alerta. Marr destacou que o uso de IA na capa só funcionou bem porque artistas e diretores supervisionaram todo o processo. Sem intervenção humana, o material poderia ter ficado aquém do padrão esperado. Esse caso ilustra exatamente o tipo de abordagem que a EA Sports pretende incentivar: IA como colaboradora, não como executora total.

Transformação acelerada dentro da EA e seus limites

Os documentos obtidos pelo Kotaku revelam que a empresa está implementando IA em praticamente todos os seus setores, desde criação de assets, animações, marketing, atendimento, gestão interna, até fases iniciais de desenvolvimento de jogos. Chatbots e sistemas automatizados já fazem parte da rotina dos funcionários, e novos processos continuam sendo testados. Essa expansão acelerada ocorreu especialmente após a compra saudita, que direcionou investimentos pesados para modernização tecnológica. No entanto, mesmo com esse impulso, a EA parece preocupada em evitar que a automação ultrapasse certos limites, especialmente quando se trata de identidade artística, narrativa, personagens e design visual. A mensagem interna deixa claro: IA é bem-vinda e estratégica, mas deve funcionar como um multiplicador humano, nunca como substituto.