A forma de retratar a personagem se mostrou um quebra-cabeça criativo e cultural para os desenvolvedores
No aguardado Pragmata, que chegará em 24 de abril de 2026 para PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC (Steam), um dos maiores desafios no desenvolvimento não teve a ver com tecnologia ou combate, mas com a própria protagonista: Diana, uma androide que caminha ao lado do astronauta Hugh.
Durante uma entrevista ao japonês Famitsu, o diretor Yonghee Cho explicou que a equipe da Capcom passou por muitas dificuldades para definir como Diana seria percebida, especialmente ao equilibrar sua aparência e expressões entre o que poderia funcionar no Japão e o que seria compreendido globalmente.
O grande dilema estava em como mostrar que Diana é uma máquina sem torná-la caricatural ou culturalmente estranha para públicos ocidentais. Originalmente, os desenvolvedores pensaram em enfatizar traços mais “robóticos”, incluindo expressões exageradas que só fariam sentido porque ela é um android, uma ideia inspirada em personagens de anime mais cartunescos.
Um exemplo citado por Cho foi a personagem Arale-chan, do mangá Dr. Slump, famosa por situações absurdas como soltar a própria cabeça do corpo. Esse tipo de gag, que funciona bem em mangás e animações, seria “muito difícil” de integrar em Pragmata sem confundir ou afastar jogadores de outras regiões, por causa de diferenças culturais e normas de mercado.
Por isso, a equipe acabou optando por uma abordagem mais sutil: em vez de exagerar traços mecânicos ou visuais, Diana agora transmite sua natureza artificial por meio de pequenas nuances em gestos, expressões controladas e comportamento geral, elementos que sugerem que ela não é humana sem recorrer a efeitos extravagantes.
Cho destacou que essa escolha foi impulsionada pelo desejo de lançar o jogo globalmente, o que trouxe restrições e reflexões sobre como certos elementos visuais poderiam ser interpretados fora do contexto cultural japonês.
A Capcom apostou em uma Diana que parece mais próxima do que seria esperado de um humano, mas com toques sutis que comunicam sua verdadeira natureza de android, uma decisão que reflete tanto considerações artísticas quanto sensibilidade ao público internacional.
Fonte: Famitsu
