Diretor de Kingdom Come: Deliverance 2 volta a defender IA e diz que a indústria “nunca mais será a mesma”

Diretor de Kingdom Come: Deliverance 2 volta a defender IA e diz que a indústria “nunca mais será a mesma”

Daniel Vávra afirma que a inteligência artificial generativa é inevitável nos games e no cinema e provoca críticos a encarar a tecnologia como oportunidade, não como ameaça.


O diretor de Kingdom Come: Deliverance 2, Daniel Vávra, voltou a se posicionar publicamente a favor do uso de inteligência artificial generativa na indústria de videogames. Em uma publicação recente no X, o desenvolvedor foi direto ao afirmar que a IA representa um caminho sem volta para o entretenimento digital, independentemente da resistência de parte da comunidade criativa. A declaração surgiu após a circulação de um vídeo criado com IA generativa inspirado em O Caminho dos Reis, obra de Brandon Sanderson. Produzido por uma única pessoa em apenas dois dias, o material rapidamente ganhou tração na plataforma, ultrapassando 17 mil curtidas e quase 3 mil compartilhamentos. Mais do que números, o vídeo reacendeu o debate sobre produtividade, autoria e o papel da tecnologia na criação artística. Ao comentar o caso, Vávra não tentou suavizar sua posição.

Segundo ele, a rejeição à IA é compreensível, mas irrelevante diante do impacto estrutural que a tecnologia já está causando. Para o diretor, o exemplo do trailer feito por um fã demonstra como as barreiras tradicionais de entrada estão sendo derrubadas. Em sua avaliação, não se trata apenas de eficiência, mas de uma mudança profunda no equilíbrio de poder criativo. Quando uma única pessoa consegue produzir algo que antes exigiria equipes inteiras e grandes orçamentos, a lógica de funcionamento das indústrias de cinema e jogos inevitavelmente se transforma. Aqui vale um contraponto importante que muitos ignoram no debate. O argumento de Vávra parte da premissa de que acesso ampliado equivale automaticamente a democratização criativa. Isso nem sempre é verdade. Se, por um lado, a IA reduz custos e acelera processos, por outro, ela concentra poder em quem controla os modelos, os dados e a infraestrutura. O risco não é a extinção da criatividade humana, mas sua padronização em larga escala.

Game Over ou oportunidade

Vávra também provocou diretamente os críticos ao sugerir duas leituras possíveis do cenário atual. Para ele, a IA pode ser vista como o “Game Over” de modelos tradicionais de produção ou como uma oportunidade inédita para que indivíduos criem sem depender do capital de grandes corporações. Esse ponto revela uma tensão central do debate. A tecnologia realmente amplia o que indivíduos podem fazer sozinhos, mas também redefine o valor do trabalho criativo. A pergunta que fica não é se a IA vai ser usada, isso já está decidido, mas quem capturará o valor gerado por ela e sob quais regras. Essa não é a primeira vez que Daniel Vávra se envolve nesse tipo de discussão. O diretor já havia defendido publicamente a Larian Studios durante a controvérsia envolvendo o uso de IA generativa em Divinity. Na ocasião, a pressão negativa levou o estúdio a recuar, episódio que se tornou um exemplo claro de como o tema ainda é sensível dentro da indústria.

O momento também não é isolado. Em 2026, o debate sobre IA nos games ganhou força institucional. A Krafton anunciou planos para se posicionar como uma empresa “AI First”, enquanto a Valve flexibilizou as restrições que antes limitavam a publicação de jogos com conteúdo gerado por IA na Steam. Esses movimentos indicam que, goste-se ou não, o mercado já começou a se ajustar. O ponto cego de parte da crítica é tratar a IA apenas como uma ferramenta criativa, quando ela é, na prática, um vetor econômico e estratégico. Ignorar isso não impede sua adoção, apenas reduz a capacidade de influenciar como ela será usada.