PlayStation Studios e a aposta multiplataforma: o desempenho financeiro em análise

PlayStation Studios e a aposta multiplataforma: o desempenho financeiro em análise

Relatórios da Sony indicam crescimento expressivo com lançamentos fora do ecossistema PlayStation, mas a estratégia segue controlada


A estratégia multiplataforma da PlayStation Studios tem sido alvo de debates recorrentes, e uma análise recente conduzida pela Tweaktown ajuda a jogar luz sobre os resultados práticos dessa abordagem. O estudo se debruça sobre a categoria “Outros Softwares” presente nos relatórios financeiros da Sony para avaliar se a expansão dos jogos first-party para outras plataformas tem, de fato, se traduzido em retorno financeiro relevante.

Historicamente mais conservadora do que a Microsoft nesse aspecto, a Sony passou a ampliar sua presença além dos consoles PlayStation nos últimos anos. O PC tornou-se o principal pilar dessa expansão, recebendo versões de grandes produções da marca, como God of War, The Last of Us: Part II e os dois títulos da franquia Horizon, normalmente lançados após um período de exclusividade nos consoles da empresa. Mais recentemente, essa abertura também alcançou outros sistemas, com LEGO Horizon Adventures chegando ao Nintendo Switch e Helldivers 2 sendo lançado para Xbox Series X|S.

Para entender o impacto financeiro dessa decisão, a Tweaktown analisou os dados divulgados pela Sony entre o primeiro trimestre do ano fiscal de 2021/2022 e o terceiro trimestre do ano fiscal de 2025/2026, encerrado em 31 de dezembro de 2025. Dentro desse intervalo, a categoria “Outros Softwares” reúne receitas provenientes de jogos completos, expansões e conteúdos adicionais desenvolvidos pela PlayStation Studios para plataformas externas.

A consolidação desses números aponta que a Sony obteve ao menos US$ 2,3 bilhões em receita, exclusivamente com a adaptação de seus títulos para outros sistemas. Embora os relatórios não detalhem a participação individual de cada plataforma, o volume reduzido de lançamentos no Switch e no Xbox sugere que o PC concentra a maior parcela desse faturamento.

Os resultados levantam questionamentos naturais sobre os próximos passos da PlayStation Studios e a possibilidade de uma política multiplataforma mais ampla. Esse cenário já havia sido comentado anteriormente por Hermen Hulst, chefe da PlayStation Studios, que reforçou a posição cautelosa da empresa em relação a esse movimento.

Segundo Hulst, a Sony não pretende abandonar o foco nos consoles PlayStation e continuará avaliando cuidadosamente quais títulos fazem sentido fora do seu ecossistema principal. A prioridade, segundo ele, é garantir que a experiência nos consoles da marca permaneça como referência, especialmente no segmento de jogos narrativos para um jogador.

O executivo destacou que a expansão para outras plataformas tem como objetivo alcançar novos públicos de forma planejada e estratégica, preservando o valor das principais franquias da empresa. Dentro dessa lógica, grandes experiências single-player seguem com lançamento inicial exclusivo nos consoles PlayStation.

Por outro lado, jogos com forte apelo multijogador ou estruturados como serviço, caso de Marathon, já nascem com uma proposta diferente. Nesses casos, a Sony tem optado por estreias simultâneas em múltiplas plataformas, buscando acelerar a formação de uma base de usuários robusta desde o primeiro dia.

Fonte: Tweaktown