Propostas de redução de pessoal na França e reestruturação corporativa desencadeiam protestos e mobilização sindical global
A Ubisoft vive um momento de forte turbulência interna após anunciar um novo plano de redução de custos e reorganização operacional, que inclui a proposta de cortar até 200 empregos na sua sede em Paris. Essa medida faz parte de um esforço mais amplo para estabilizar as finanças da empresa, que recentemente cancelou vários títulos e reorganizou suas equipes em cinco “casas criativas”.
Representantes sindicais que atuam na Ubisoft e na indústria de games reagiram com vigor às iniciativas, criticando o que consideram políticas corporativas prejudiciais ao bem-estar dos funcionários e à criatividade dentro da empresa. Organizações como Solidaires Informatique, CFE-CGC, CGT e o Syndicat des Travailleureuses du Jeu Vidéo (STJV) anunciaram a preparação de uma greve de três dias, marcada para acontecer entre os dias 10 e 12 de fevereiro de 2026, com apoio de sindicatos internacionais para ampliar a mobilização além da França.
O plano de corte de pessoal na sede francesa, que representaria cerca de 18% dos empregos na Ubisoft International em Paris, está sendo negociado com os representantes dos trabalhadores sob um regime de Rupture Conventionnelle Collective (RCC), um acordo de término voluntário de contrato previsto pela legislação trabalhista francesa. Ubisoft afirmou que o programa é voluntário e que nenhuma decisão será definitiva sem um acordo coletivo aprovado pelas autoridades competentes.
O descontentamento dos sindicatos vai além dos cortes de empregos. Eles também criticam a introdução de uma política que exige que funcionários trabalhem cinco dias por semana no escritório, a falta de aumentos salariais significativos em anos e o impacto emocional das mudanças no ambiente de trabalho. Segundo representantes sindicais, a atmosfera interna da Ubisoft tem sido marcada por “raiva e desespero”, com equipes sobrecarregadas e preocupações com a segurança de seus postos de trabalho.
Esse contexto de insatisfação ocorre pouco depois de a Ubisoft anunciar um programa de reestruturação profunda, motivado por resultados financeiros abaixo do esperado, fechamento de estúdios e o cancelamento de diversos jogos em desenvolvimento, incluindo projetos de alto perfil. A medida de reorganização foi comunicada como um passo para reduzir custos e tornar a empresa mais ágil diante de desafios no mercado global de jogos.
Com os sindicatos buscando apoio internacional e a perspectiva de paralisações coordenadas em diferentes países, a Ubisoft enfrenta não apenas o desafio de ajustar sua estrutura corporativa, mas também de responder às preocupações de seus funcionários sobre condições de trabalho, transparência e respeito profissional em meio a um cenário de mudanças profundas.
Fonte: LesEchos
