Estúdio responsável pelo ambicioso shooter perdeu cerca de 170 funcionários e agora opera com equipe drasticamente reduzida.
A Build a Rocket Boy atravessa o momento mais delicado desde sua fundação. Segundo informações obtidas pelo Kotaku, o estúdio realizou uma terceira rodada de demissões em massa em menos de um ano, desta vez reduzindo drasticamente sua força de trabalho. Aproximadamente 170 funcionários teriam sido desligados, deixando a empresa com cerca de 80 colaboradores ativos. Embora a companhia ainda não tenha emitido um comunicado oficial, diversos profissionais confirmaram publicamente suas saídas nas redes sociais. Funcionários de áreas como design, áudio, QA e redes sociais compartilharam mensagens de despedida, reforçando que os cortes atingiram múltiplos departamentos do estúdio.
Entre os relatos, chamou atenção a publicação de George Jons-Clothier, gerente de marketing digital ligado ao projeto MindsEye. Em mensagem direcionada à comunidade no Discord oficial, ele descreveu sua passagem pela empresa como significativa e elogiou a dedicação dos jogadores e da equipe, em um tom que evidenciava o clima de encerramento interno. A crise atual é resultado de um processo de desgaste contínuo. Além das duas ondas anteriores de demissões, a empresa também encerrou as operações da Build a Rocket Boy France no início deste ano. Em meio ao caos, o co-CEO Mark Gerhard chegou a atribuir parte dos problemas recentes a supostos casos de “espionagem organizada e sabotagem corporativa”, declaração que gerou forte repercussão na indústria.
O cenário se torna ainda mais preocupante quando observado ao lado do desempenho recente de MindsEye. O jogo, originalmente concebido como parte da plataforma Everywhere, vinha sendo tratado como peça central da estratégia do estúdio. A intenção era transformar o projeto em uma experiência de conteúdo gerado por usuários com alto padrão gráfico, mas as atualizações recentes não conseguiram recuperar a confiança da comunidade. A tentativa mais recente de reestruturação, comparada internamente a uma espécie de “Cyberpunk 2077 2.0”, também falhou em gerar reação positiva. A atualização Blacklist foi recebida de forma morna pelos jogadores, aprofundando dúvidas sobre a capacidade do estúdio de reverter a situação.
Até mesmo a IO Interactive, parceira envolvida na distribuição do projeto, comentou publicamente o caso. O CEO Hakan Abrak afirmou que a equipe trabalhou intensamente, mas reconheceu que o resultado final ficou distante do esperado tanto pelo estúdio quanto pelos parceiros. Com menos de 80 funcionários restantes, múltiplas reestruturações internas e um projeto central enfrentando dificuldades de recepção, a Build a Rocket Boy chega a um ponto crítico. O futuro de MindsEye e da própria visão original de Everywhere agora parece significativamente mais incerto do que em qualquer outro momento desde o anúncio do estúdio.
Fonte: Kotaku
