Ubisoft encerra trabalho remoto e impõe retorno integral aos escritórios

Ubisoft encerra trabalho remoto e impõe retorno integral aos escritórios

Decisão faz parte de uma reestruturação profunda que inclui fechamento de estúdios, cancelamentos de projetos e provoca reação imediata de sindicatos na França.


A Ubisoft confirmou oficialmente o fim do regime de trabalho remoto para seus funcionários, determinando o retorno obrigatório aos escritórios em tempo integral, cinco dias por semana. A medida integra um amplo processo de reestruturação interna que vem sendo conduzido pela publisher francesa nos últimos meses e ocorre em um momento delicado, marcado por cancelamentos de jogos, adiamentos estratégicos e o fechamento de estúdios ao redor do mundo. Segundo a empresa, a presença física diária das equipes seria essencial para fortalecer a colaboração, estimular a criatividade e melhorar a eficiência nos processos de desenvolvimento. No comunicado interno, a Ubisoft afirma que o convívio presencial facilita a troca de ideias, acelera decisões e contribui para a criação de “dinâmicas coletivas” mais eficazes entre os times.

A decisão sobre o retorno integral ao escritório vem acompanhada de mudanças estruturais profundas. A Ubisoft confirmou o encerramento das atividades dos estúdios Ubisoft Stockholm e Ubisoft Halifax, além de reduções expressivas de pessoal em outras unidades importantes, como Massive Entertainment, RedLynx e Ubisoft Abu Dhabi. Esses cortes refletem uma tentativa clara de reduzir custos e reorganizar prioridades após resultados abaixo do esperado em lançamentos recentes. Diversos projetos também foram diretamente impactados por esse processo. O remake de Prince of Persia: The Sands of Time, que já enfrentava um desenvolvimento conturbado, acabou sendo oficialmente cancelado. Já Assassin’s Creed Black Flag Resynced, segundo informações de bastidores, teria sofrido um novo adiamento, reforçando a percepção de instabilidade no cronograma da empresa.

Trabalho remoto se tornou padrão na indústria

Desde a pandemia de COVID-19, o setor de desenvolvimento de jogos passou por uma transformação significativa em seus modelos de trabalho. Estúdios de todos os portes adotaram regimes híbridos ou totalmente remotos, e muitos profissionais passaram a considerar essa flexibilidade um benefício essencial, frequentemente mais valorizado do que reajustes salariais. Para desenvolvedores, artistas e programadores, o home office representa melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional, além de eliminar longos deslocamentos diários. Esse contexto torna a decisão da Ubisoft especialmente sensível, já que vai na contramão de uma tendência amplamente consolidada na indústria de games.

A resposta não demorou a chegar. O sindicato francês Solidaires Informatique anunciou uma greve marcada para o dia 22 de janeiro, classificando as decisões da Ubisoft como prejudiciais e mal planejadas. Segundo os representantes sindicais, o retorno obrigatório ao escritório terá impacto direto na qualidade de vida dos funcionários e pode levar à perda de talentos para outras empresas do setor. O sindicato exige não apenas a manutenção das políticas de teletrabalho, mas também a ampliação dessas condições, argumentando que a flexibilidade já demonstrou ser viável e produtiva nos últimos anos. A mobilização adiciona ainda mais pressão sobre a Ubisoft, que agora precisa lidar não só com desafios criativos e financeiros, mas também com um crescente descontentamento interno.