Ubisoft inicia ampla reestruturação com estúdios fechados, jogos cancelados e novo modelo criativo

Ubisoft inicia ampla reestruturação com estúdios fechados, jogos cancelados e novo modelo criativo

Editora francesa aposta em descentralização, foco em qualidade e corte de custos para reposicionar a marca no mercado AAA


A Ubisoft confirmou oficialmente que está passando por uma das maiores reestruturações de sua história. A editora francesa iniciou um processo profundo de reorganização interna, que envolve o cancelamento e adiamento de diversos projetos, o fechamento de estúdios e a adoção de um novo modelo operacional focado em eficiência, autonomia criativa e qualidade.

Segundo a empresa, esse plano vem sendo desenvolvido há cerca de um ano e tem como principal objetivo recuperar a liderança criativa da marca e estabelecer uma base sustentável para o crescimento a longo prazo.

Cancelamentos e adiamentos impactam o portfólio

Como parte do realinhamento estratégico, a Ubisoft cancelou seis jogos. Entre eles está o remake de Prince of Persia: The Sands of Time, projeto que enfrentou sucessivos atrasos desde seu anúncio. Além dele, um jogo mobile e quatro títulos ainda não anunciados também foram descontinuados, sendo três desenvolvimentos internos.

A decisão foi tomada após uma revisão completa do planejamento de conteúdo realizada entre dezembro e janeiro. Esse processo levou a editora a redistribuir recursos e reformular totalmente seu cronograma de lançamentos para os próximos três anos.

Além dos cancelamentos, outros sete jogos tiveram seus lançamentos adiados para atender aos padrões de qualidade desejados. A Ubisoft não revelou os nomes dos projetos afetados, mas confirmou que ao menos um deles foi postergado para, no máximo, abril de 2027. Entre as especulações, o possível remake de Assassin’s Creed: Black Flag aparece como um dos títulos impactados.

De acordo com a empresa, essas decisões visam elevar o nível de qualidade especialmente no segmento de aventuras em mundo aberto e redefinir sua atuação no mercado de jogos como serviço.

Fechamento de estúdios e redução de custos

A reestruturação também teve impacto direto na estrutura física da companhia. Os estúdios de Halifax, no Canadá, e Estocolmo, na Suécia, foram oficialmente fechados. A Ubisoft confirmou ainda que está avaliando novas medidas de redução de custos e não descarta a venda de ativos.

O objetivo financeiro é ambicioso. A empresa pretende reduzir seus custos fixos em mais de 200 milhões de euros ao longo dos próximos dois anos.

Sobre as demissões, a editora não divulgou números exatos, mas afirmou que parte dos funcionários será realocada para projetos considerados estratégicos, enquanto outros deixarão a empresa.

Novo modelo com Casas Criativas independentes

O coração da nova estrutura da Ubisoft está na criação de cinco chamadas Casas Criativas, unidades independentes que passam a ter total responsabilidade sobre desenvolvimento, gestão e decisões financeiras de seus projetos.

Cada Casa Criativa atuará de forma autônoma, focando em gêneros ou marcas específicas:

CH1 Vantage Studios – será responsável por franquias como Rainbow Six, Assassin’s Creed e Far Cry.

CH2 – ficará focada em jogos de tiro competitivos e cooperativos, incluindo The Division, Ghost Recon e Splinter Cell.

CH3 – cuidará dos jogos como serviço, como For Honor, The Crew, Riders Republic, Brawlhalla e Skull & Bones.

CH4 – será dedicada a mundos de fantasia e experiências narrativas, reunindo marcas como Anno, Might & Magic, Rayman, Prince of Persia e Beyond Good & Evil.

CH5 – concentrará os títulos voltados para toda a família, como Just Dance, Uno e jogos licenciados da Hasbro.

Além disso, alguns estúdios de suporte passarão a integrar uma Rede Criativa, responsável por oferecer apoio técnico, localização, garantia de qualidade, planejamento de negócios, publicação e gestão econômica dos títulos.

Novas IPs e visão de longo prazo

Apesar do momento delicado, a Ubisoft confirmou que possui quatro novas propriedades intelectuais em desenvolvimento. Entre elas está March of Giants, um MOBA que futuramente será atribuído a uma das Casas Criativas.

O CEO da Ubisoft, Yves Guillemot, explicou que a empresa está reformulando completamente seu modelo operacional para se apoiar em dois pilares estratégicos: aventuras em mundo aberto e experiências nativas de jogos como serviço.

Segundo ele, cada Casa Criativa terá controle financeiro total, o que permitirá decisões mais rápidas e uma integração mais eficiente entre desenvolvimento e publicação.

Guillemot reconheceu que as mudanças devem gerar impactos nos anos fiscais de 2026 e 2027, mas reforçou que a meta é alcançar crescimento sustentável e estabilidade financeira no longo prazo.

“Essas decisões são difíceis, mas necessárias para construir uma organização mais focada, eficiente e sustentável”, afirmou o executivo.

Um reposicionamento arriscado, mas decisivo

Com essa reestruturação, a Ubisoft tenta se reposicionar em um mercado AAA cada vez mais seletivo, apostando em estruturas orientadas por marcas, maior autonomia criativa e foco absoluto em qualidade.

Os efeitos reais dessa transformação só poderão ser medidos nos próximos anos, mas o movimento deixa claro que a editora francesa encara este momento como um verdadeiro ponto de virada em sua história.

Fonte: VGC