Resident Evil Requiem não é apenas o nono capítulo de uma cronologia exausta; é um acerto de contas. Após as experimentações folclóricas de Village, a Capcom retorna às raízes de Raccoon City com uma sobriedade que eu não via desde o remake do segundo jogo. Ao controlar Leon S. Kennedy, agora um veterano cujas cicatrizes vão além do físico, e a novata Grace Ashcroft, percebi que o jogo não tenta apenas te assustar com jump scares baratos. Ele te sufoca com a atmosfera de um lugar que deveria ter sido esquecido, mas que insiste em pulsar sob as ruínas. No PS5, essa sensação de “morte presente” ganha uma textura quase tátil, transformando o ato de explorar o Rhodes Hill Chronic Care Center e as ruas devastadas em uma jornada psicológica onde o som do silêncio é mais perigoso que o rugido de uma mutação.

A maestria técnica no hardware de base
Jogar no PS5 Base em 2026 me trouxe uma constatação importante: a otimização da RE Engine atingiu seu ápice de escala. Diferente da estrutura linear de corredores dos títulos anteriores, Requiem surpreende ao entregar uma Raccoon City com áreas abertas vastas, que lembram muito a estrutura de exploração urbana de The Last of Us Part II. Caminhar por esses setores semiabertos exige um novo tipo de atenção: há prédios inteiros acessíveis, loot escondido em becos e uma verticalidade que altera o ritmo do survival horror. Mesmo com essa amplitude, o PS5 mantém uma nitidez impressionante em 4K dinâmico. As sombras aqui não são apenas ausência de luz; elas têm volume e escondem ameaças que o motor gráfico renderiza com uma precisão perturbadora.
O suporte ao áudio 3D e aos recursos do DualSense eleva o combate a um nível de estresse necessário. Os gatilhos adaptáveis oferecem uma resistência física autêntica, simulando o peso do curso do gatilho de cada arma, desde o clique seco da pistola de Grace até o recuo vigoroso da Magnum Requiem de Leon. Sentir a vibração detalhada do controle ao caminhar sobre diferentes superfícies ou o impacto de uma criatura contra uma porta reforça a conexão física com o desespero dos personagens. Em Requiem, a tecnologia não é um adorno; é a ferramenta que a Capcom usa para garantir que você sinta cada disparo e cada impacto, tornando o gerenciamento de combate algo muito mais visceral e satisfatório.

Dualidade narrativa: O peso da experiência vs. o medo do desconhecido
A estrutura narrativa dividida entre Leon e Grace é o grande trunfo estratégico desta análise. Enquanto os segmentos de Leon Kennedy evocam o brilho tático do remake de RE4, com um combate cadenciado e focado em controle de multidão e precisão, a jornada de Grace é um retorno puro ao terror de sobrevivência. A história de Grace, uma civil presa em um pesadelo que ela não compreende, serve como o contraponto perfeito para a frieza técnica de Leon. É uma dança entre a nostalgia de reencontrar um ícone e o frescor de descobrir o horror pelos olhos de alguém vulnerável.
A inteligência artificial dos inimigos em Requiem evoluiu drasticamente para lidar com os espaços abertos; as criaturas agora utilizam o cenário para flanquear o jogador e reagem de forma orgânica aos danos localizados. Não basta atirar na cabeça; é preciso gerenciar o espaço, especialmente nas áreas amplas da cidade e entender que, muitas vezes, um inimigo caído é apenas uma ameaça aguardando o momento certo para sofrer uma mutação “Crimson” ainda mais agressiva. Os quebra-cabeças retornam com uma lógica ambiental que respeita a inteligência do jogador, exigindo observação de documentos e detalhes do cenário que expandem o lore sem interromper o fluxo da ação.

Veredito
O impacto de Requiem no mercado de 2026 é inegável. Ele prova que a Capcom sabe evoluir sua fórmula, adotando uma exploração mais livre e ambiciosa sem perder a essência claustrofóbica que define a marca. No PS5, o jogo é uma vitrine de como a maturidade de um motor gráfico pode entregar cenários urbanos complexos e detalhados sem comprometer a estabilidade. Ao equilibrar a liberdade de exploração em Raccoon City com mecânicas de combate refinadas, a Capcom entrega não apenas um jogo, mas uma experiência definitiva.
Resident Evil Requiem no PS5 é a celebração definitiva de 30 anos de horror. É um jogo que entende o peso do seu legado e o usa para construir algo novo, visceral e tecnicamente impecável. Ele te coloca dentro de um pesadelo onde o passado de Raccoon City finalmente encontra o seu descanso, mas não antes de cobrar o seu preço em tensão e adrenalina. É indispensável para veteranos e a porta de entrada perfeita para novos sobreviventes que buscam um mundo rico para explorar e temer.
Agradecemos à Capcom e Theogames pelo envio da chave para a realização desta review.