O que os testes de Gran Turismo 7 no Switch 2 revelam sobre os planos da Sony?

O que os testes de Gran Turismo 7 no Switch 2 revelam sobre os planos da Sony?

O relato de uma build funcional do simulador da Polyphony Digital no hardware da Nintendo sugere que a Sony está utilizando a concorrência para testar a escalabilidade de seu motor gráfico e preparar terreno para novos dispositivos portáteis.


A revelação de que Gran Turismo 7 estaria rodando no hardware do Nintendo Switch 2, feita pelo jornalista Jeff Grubb no podcast Game Mess Decides em fevereiro de 2026, introduziu uma variável inesperada na análise da atual geração de consoles. Embora Grubb tenha sido enfático ao afirmar que a existência de uma versão de testes não garante um lançamento comercial, o fato de a Polyphony Digital ter solicitado kits de desenvolvimento da Nintendo para rodar seu principal simulador é um movimento carregado de intenção estratégica. Analiticamente, isso não aponta para uma quebra imediata da exclusividade, mas sim para o uso do Switch 2 como um benchmark de desempenho. Como o GT7 já é um título altamente escalável (com versões que abrangem desde o PS4 até o PS5 Pro), testá-lo em um hardware equivalente ao novo híbrido da Nintendo fornece à Sony dados vitais sobre como seu motor gráfico se comporta em arquiteturas móveis modernas.

A tese do “PS6 Portátil” e a engenharia reversa de mercado

Uma das interpretações mais robustas entre especialistas da indústria é que a Sony estaria utilizando o Switch 2 para validar as especificações de seu próprio console portátil de próxima geração. Com rumores persistentes de que a Sony planeja um retorno ao mercado de dispositivos dedicados, possivelmente uma extensão do ecossistema PlayStation 6, entender os limites do chip Nvidia T239 que alimenta o Switch 2 permite que a Polyphony Digital otimize o código para hardwares de consumo de energia reduzido. Além disso, rodar o GT7 no concorrente serve como uma prova de conceito técnica: se o jogo, que é um dos pilares de fidelidade da marca PlayStation, consegue manter a estabilidade no hardware da Nintendo, a Sony garante que sua tecnologia está pronta para qualquer variação de mercado, seja ela um portátil proprietário ou, futuramente, uma expansão para PC.


Apesar da viabilidade técnica demonstrada pelos testes, a transição de Gran Turismo para o Switch 2 enfrenta obstáculos que transcendem o processamento gráfico. A franquia é construída sobre a precisão da simulação, dependendo de gatilhos analógicos (presentes no DualSense) e de um vasto ecossistema de volantes profissionais com os quais a Nintendo historicamente não possui integração profunda. Remover a exclusividade de uma IP que sequer migrou para o PC até o momento representaria uma mudança sísmica na política de “consolidação de ecossistema” da Sony. Para os acionistas, o recado de 2026 é claro: a tecnologia da PlayStation Studios é mais versátil do que se imaginava, mas o acesso a essas experiências continua sendo o principal chamariz para manter os jogadores dentro das fronteiras do hardware da Sony.