O dilema do PS6 e o futuro da mídia física

O dilema do PS6 e o futuro da mídia física

Shawn Layden alerta que abandonar os discos pode alienar milhões de jogadores em mercados globais onde a conexão digital ainda é instável.


A discussão sobre a eventual extinção dos discos nos consoles ganhou novos argumentos com a participação de Shawn Layden, ex-líder da divisão PlayStation, em um debate sobre os rumos da indústria. Layden acredita que a Sony carrega uma responsabilidade geográfica muito mais ampla que seus rivais diretos, o que torna a transição para um ecossistema exclusivamente digital um movimento extremamente arriscado no momento atual. Segundo o executivo, o PlayStation 6 dificilmente alcançaria um sucesso absoluto caso a empresa decida ignorar a enorme base de usuários que ainda vê no formato físico a única maneira viável de consumir jogos.

A liderança da marca em cerca de 170 países é o pilar central desse raciocínio. Enquanto a estratégia da Microsoft com o Xbox foca pesadamente em nações de língua inglesa e infraestrutura robusta, a Sony precisa atender a uma diversidade de cenários onde o acesso à internet de alta velocidade é limitado ou inexistente. Com títulos modernos ultrapassando frequentemente a marca dos 100 GB, a dependência de downloads massivos poderia se tornar uma barreira intransponível para o crescimento da plataforma em diversas regiões do planeta.

Barreiras geográficas e perfis de consumo

Para o veterano da indústria, não se trata apenas de velocidade de conexão, mas de estilos de vida que tornam o disco um item de primeira necessidade. Layden aponta que militares servindo em bases remotas, profissionais nômades que dependem de redes instáveis em hotéis e moradores de zonas rurais seriam os primeiros a serem excluídos de uma geração puramente digital. Ele reforça que a Sony passou décadas consolidando sua marca nesses territórios e que abandonar o leitor de discos agora significaria excluir deliberadamente uma parcela valiosa do mercado que a empresa lutou para conquistar. A saída mais provável para o PlayStation 6 parece ser a adoção definitiva de um modelo de hardware modular, seguindo os passos iniciados com o PS5 Slim e o PS5 Pro.

Nesse cenário, o console seria comercializado em uma base digital, mas manteria a compatibilidade com um acessório de leitura óptica vendido separadamente. Essa manobra permitiria que a gigante japonesa reduzisse custos de fabricação e simplificasse sua logística global, ao mesmo tempo em que preservaria o direito de escolha dos colecionadores e daqueles que vivem em regiões com infraestrutura digital precária.