O veterano da indústria afirma que o spin-off em 2D perdeu a essência da franquia ao priorizar diálogos excessivos e descaracterizar Kratos.
David Jaffe, a mente por trás do primeiro God of War (2005), não poupou palavras ao comentar o lançamento surpresa de God of War: Sons of Sparta. Durante uma transmissão recente, o criador expressou uma profunda frustração com a direção tomada pela Santa Monica Studio e pela Mega Cat Studios no novo título em 2D. Embora Jaffe tenha admitido que a ideia de um side-scroller da franquia era algo que ele mesmo desejava ver, o resultado final passou longe de suas expectativas, sendo classificado por ele como uma experiência apenas “ok” e visualmente genérica. A principal crítica de Jaffe recai sobre o ritmo do jogo, que ele considera interrompido por uma carga narrativa desproporcional. Segundo o designer, o foco em diálogos constantes entre os personagens drena a intensidade que deveria ser o pilar de um título de ação.
Ele comparou essa escolha ao polêmico trecho de God of War Ragnarök envolvendo a jornada de Atreus em Jotunheim, reforçando sua visão de que o estúdio atualmente prioriza a exposição da história em detrimento da jogabilidade pura e desenfreada que definiu a trilogia grega.
A descaracterização do Fantasma de Esparta
Para o criador original, a representação da juventude de Kratos em Sons of Sparta falha em capturar a aura do personagem. Jaffe argumenta que esta versão do protagonista parece desconectada tanto do guerreiro sanguinário da era clássica quanto do pai reflexivo da era nórdica. Em suas palavras, o Kratos apresentado no novo jogo assemelha-se a um “garoto genérico”, o que deu ao título uma atmosfera que ele descreveu pejorativamente como um “show infantil”.
Essa crítica ao tom do jogo também se estende à violência. Jaffe sugeriu que a Sony deveria ter buscado inspiração em títulos como Blasphemous, que utiliza o formato 2D para entregar uma estética brutal, sombria e visceral. Para ele, a falta de seriedade e de um impacto visual mais “cru” faz com que o projeto pareça uma tentativa segura e simplificada demais para o peso que o nome God of War carrega na indústria. Além das questões narrativas e estéticas, Jaffe também questionou a qualidade técnica da produção. O desenvolvedor afirmou que, comparado a outros lançamentos recentes do gênero, citando nominalmente o ainda inédito Ninja Gaiden Ragebound, Sons of Sparta carece de polimento e inovação. Ele apontou que a interface do usuário é confusa e que as animações não atingem o nível de excelência esperado de um estúdio first-party da Sony, mesmo em um projeto de menor escala.
Apesar das críticas severas do criador original, a recepção do público tem se mostrado mista para positiva, com muitos jogadores elogiando a estética pixel art e a oportunidade de explorar o passado de Kratos ao lado de seu irmão Deimos. O título, lançado como parte das celebrações de 20 anos da franquia, agora divide opiniões entre aqueles que apreciam a nova abordagem experimental e os puristas, como Jaffe, que acreditam que a essência do “combate e fúria” foi deixada de lado em favor de uma narrativa excessivamente guiada.
