Estúdio responsável pelo remake de Silent Hill 2 acredita que o gênero vive um novo momento criativo e ainda está longe de esgotar seu potencial
A Bloober Team, estúdio polonês que ganhou ainda mais projeção internacional com o remake de Silent Hill 2, acredita que o gênero de terror nos videogames está passando por uma fase especialmente fértil. Para a equipe, apesar da longa história do horror nos games, ainda há muito espaço para inovação, novas abordagens narrativas e experiências que explorem o medo de formas pouco convencionais. Durante uma entrevista concedida no evento Videogame Week, promovido pela Voxel School, o diretor de jogos Wojciech Piejko compartilhou sua leitura sobre o momento atual do gênero e fez um paralelo direto com o que acontece no cinema. Segundo Piejko, o terror passa por ciclos naturais de ascensão, desgaste e renovação, algo que não é exclusivo dos videogames.
“É muito parecido com a indústria cinematográfica. O terror se tornou extremamente popular em determinado período, depois passou por uma fase de declínio e agora voltou com força total”, explicou o diretor.
Para ele, esse retorno não acontece por acaso. O ressurgimento do gênero está diretamente ligado à disposição de estúdios e criadores em experimentar novas ideias, estilos narrativos e formas de provocar desconforto e tensão no público. Mesmo com tantos jogos de terror lançados nos últimos anos, Piejko acredita que o gênero ainda está longe de atingir um limite criativo.
Novas ideias e referências fora dos games
O diretor também destacou que essa onda criativa não se limita apenas aos videogames. De acordo com ele, tanto o cinema quanto os games vêm apresentando propostas mais ousadas, atmosféricas e autorais dentro do terror. Como exemplo, Piejko citou Nosferatu (2024), filme dirigido por Robert Eggers, conhecido por seu estilo mais psicológico e artístico. Na visão do desenvolvedor, esse tipo de obra ajuda a redefinir o que o terror pode ser, indo além de sustos fáceis e apostando em ambientação, simbolismo e narrativa.
“Eu diria que os fãs de terror estão muito bem servidos atualmente”, afirmou, reforçando que o público tem acesso a experiências variadas, tanto em jogos independentes quanto em grandes produções.
Nos últimos anos, a Bloober Team se consolidou como um dos principais nomes do terror psicológico nos videogames. O estúdio ganhou notoriedade com títulos autorais e, mais recentemente, com o remake de Silent Hill 2, projeto que carregava enorme expectativa por parte dos fãs e da indústria. Além disso, o estúdio lançou Cronos: The New Dawn, reforçando sua identidade focada em narrativas densas, atmosferas opressivas e temas psicológicos. Atualmente, a Bloober Team já trabalha em outro projeto de peso: o remake do primeiro Silent Hill, o que indica uma aposta contínua no legado do terror clássico aliado a técnicas modernas de desenvolvimento. Com uma visão otimista e consciente dos desafios criativos do gênero, o estúdio demonstra acreditar que o terror ainda tem muito a oferecer, especialmente para desenvolvedores dispostos a explorar o medo de maneiras menos óbvias e mais impactantes.
