United Video Games afirma que acordo bilionário ameaça empregos, criatividade e coloca a indústria sob influência estrangeira excessiva
O sindicato United Video Games (UVG), com apoio direto da Communications Workers of America (CWA), formalizou uma oposição contundente à possível aquisição da Electronic Arts por um grupo de investidores privados que inclui o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita. A manifestação foi feita por meio de uma carta enviada à Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC), na qual a entidade pede uma análise rigorosa do acordo avaliado em US$ 55 bilhões. Publicado no site Action Network, o documento deixa claro que o sindicato não vê a transação como uma medida de resgate financeiro. Pelo contrário, a UVG afirma que a EA está longe de enfrentar dificuldades econômicas e que eventuais cortes de pessoal decorrentes da aquisição seriam decisões estratégicas voltadas exclusivamente ao aumento de lucros para investidores.
Segundo o texto, qualquer demissão após a compra não poderia ser justificada como necessidade operacional. Para o sindicato, isso representaria uma escolha deliberada feita para “engordar os bolsos dos investidores”, sem benefícios reais para a saúde da empresa ou para o ecossistema criativo que sustenta seus jogos. Além de cobrar uma investigação detalhada por parte da FTC, o sindicato também tenta mobilizar a opinião pública. A carta inclui uma petição aberta ao público americano, incentivando jogadores, desenvolvedores e cidadãos a pressionarem os reguladores federais a se posicionarem contra o acordo. O pedido é direcionado especialmente aos comissários da FTC que ainda possuem margem legal para desacelerar ou até bloquear a transação. De acordo com a UVG, a prioridade deveria ser garantir a proteção de empregos e preservar a liberdade criativa dos estúdios da EA, evitando que decisões artísticas e estratégicas fiquem subordinadas a interesses puramente financeiros.
“Estamos pedindo aos reguladores e representantes eleitos que examinem minuciosamente este acordo e garantam que qualquer caminho a seguir proteja empregos e preserve a liberdade criativa”, destaca o sindicato no trecho final do documento.
Aprovação dos acionistas e controle estrangeiro
Em dezembro do ano passado, os acionistas da Electronic Arts aprovaram oficialmente a proposta de compra, removendo praticamente todos os obstáculos internos ao negócio. Com isso, a FTC passou a ser uma das poucas instituições capazes de impor restrições ou vetar a aquisição. Caso o acordo avance sem interferências, a EA passará a ficar quase totalmente sob controle do fundo soberano da Arábia Saudita, ampliando a presença do país em grandes empresas do setor de entretenimento e tecnologia, algo que já gera debates políticos e éticos nos Estados Unidos. Apesar das críticas vindas de alguns setores do governo americano, o Financial Times aponta que o acordo tende a enfrentar resistência limitada. Um dos fatores citados é o envolvimento de Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, que manteria relações próximas com o governo saudita e investidores ligados ao fundo.
Internamente, a liderança sênior da EA já sinalizou qual deve ser o próximo passo após a aquisição. Executivos indicaram que a empresa pretende apostar fortemente em tecnologias de inteligência artificial, enxergando nelas uma forma de recuperar o investimento recorde e aumentar eficiência em desenvolvimento, testes e produção de conteúdo. A combinação de controle estrangeiro, possíveis demissões e uma guinada agressiva rumo à automação explica por que o acordo vem despertando tanta preocupação entre desenvolvedores e sindicatos. Agora, a decisão final pode depender do quanto a FTC estará disposta a confrontar um dos maiores negócios da história da indústria dos games.
