Estúdio afirma que o jogo só existiu graças ao apoio da Epic e rebate críticas sobre perdas financeiras
A Remedy Entertainment se pronunciou oficialmente para defender o acordo de exclusividade de Alan Wake 2 na Epic Games Store, respondendo diretamente às críticas que questionam o impacto comercial dessa decisão. Segundo o estúdio finlandês, o aguardado jogo de terror simplesmente não teria sido produzido sem o envolvimento direto da Epic Games Publishing, que financiou e viabilizou o projeto desde suas fases iniciais. A discussão ganhou força após declarações de Michael Douse, diretor de publicação da Larian Studios (Baldur’s Gate 3). Em comentários nas redes sociais, Douse criticou a estratégia de exclusividades da Epic, sugerindo que a Remedy estaria abrindo mão de “centenas de milhões de dólares” ao não lançar Alan Wake 2 no Steam, plataforma significativamente mais popular no PC. As falas também tocaram em um ponto sensível: os recentes desafios financeiros enfrentados pela desenvolvedora.
Em resposta, a Remedy publicou um comunicado direto e sem rodeios, reforçando que a parceria foi fundamental para a existência do jogo:
“Não existiria Alan Wake 2 sem a Epic Publishing. O acordo de publicação com a Epic foi muito justo para a Remedy. Embora esses acordos complexos muitas vezes levem até um ano para serem concluídos e nem sempre sejam justos para o desenvolvedor, este foi. E levou apenas meses para ser finalizado. A Epic Games foi, e é, um excelente parceiro para nós. Com Steam ou sem Steam.”
A declaração deixa claro que, na visão da Remedy, a discussão não se resume a alcance de loja ou potencial de vendas, mas à viabilidade do projeto. Alan Wake 2 foi um jogo ambicioso, com alto custo de produção, forte foco narrativo e riscos comerciais evidentes, fatores que, segundo o estúdio, dificultariam sua existência sem um parceiro disposto a assumir esse investimento.
Exclusividade, financiamento e riscos criativos
Diferente de muitos acordos de exclusividade temporária, Alan Wake 2 foi financiado integralmente pela Epic, que também atua como publicadora do jogo. Isso significa que a Remedy não precisou arcar sozinha com os custos de desenvolvimento, marketing e distribuição, reduzindo drasticamente o risco financeiro. Esse modelo contrasta com a visão de parte da indústria, que enxerga a exclusividade como uma limitação de mercado. Para a Remedy, no entanto, a parceria garantiu liberdade criativa, prazos mais flexíveis e segurança para apostar em um jogo que foge do padrão comercial tradicional. Curiosamente, a defesa da exclusividade acontece em meio a novos rumores sobre uma possível chegada de Alan Wake 2 ao Steam. Recentemente, usuários notaram que uma coletânea chamada “Alan Wake Franchise” foi renomeada para “Alan Wake Origins” dentro da loja da Valve. A mudança levantou especulações de que a Remedy e a Epic estariam reorganizando a presença da franquia na plataforma, possivelmente preparando terreno para algo novo.
Até o momento, porém, nenhum anúncio oficial foi feito, e a exclusividade permanece válida. A fala da Remedy também ganha mais contexto quando se considera a situação financeira do estúdio. A empresa revelou recentemente que vem operando com prejuízo nos últimos anos, em parte devido ao desempenho abaixo do esperado de FBC: Firebreak, seu jogo cooperativo ambientado no universo de Control. Nesse cenário, Alan Wake 2, lançado em outubro de 2023, tornou-se um pilar criativo e simbólico para o estúdio. O jogo foi amplamente aclamado pela crítica, conquistou diversos prêmios e recebeu múltiplas indicações a Jogo do Ano, reforçando o prestígio da Remedy mesmo sem alcançar números massivos de vendas. Para o estúdio, portanto, a equação parece clara: melhor lançar o jogo com o apoio certo, ainda que em uma plataforma menos popular, do que não lançá-lo ou comprometer sua visão criativa.
