Fallout 3: por que o clássico da Bethesda chegou tão bugado? Designer-chefe relembra os bastidores

Fallout 3: por que o clássico da Bethesda chegou tão bugado? Designer-chefe relembra os bastidores

Emil Pagliarulo explica como ambição, liberdade extrema e limitações técnicas acabaram cobrando um preço alto no lançamento do RPG em 2008


Lançado em 2008, Fallout 3 rapidamente se consolidou como um marco dos RPGs ocidentais. Mundo aberto vasto, atmosfera opressiva, escolhas com impacto real e uma narrativa envolvente garantiram elogios da crítica e do público. Mas, junto com o sucesso, veio um velho conhecido dos jogadores da Bethesda: uma enxurrada de bugs logo no lançamento.

Agora, anos depois, Emil Pagliarulo, designer-chefe do projeto na época, voltou ao passado em uma entrevista à revista Edge, repercutida pelo GamesRadar, para explicar como tantos problemas conseguiram passar pelo processo de desenvolvimento.

Ambição demais, controle de menos

Segundo Pagliarulo, o tamanho do jogo por si só não explica tudo. O verdadeiro desafio estava na liberdade extrema oferecida ao jogador, algo que a equipe queria levar ao limite.

A combinação de sistemas complexos, decisões abertas e múltiplas possibilidades de abordagem criava constantemente situações difíceis de prever. Cada nova mecânica interagia com várias outras, abrindo espaço para erros que simplesmente não apareciam durante os testes.

“Queríamos fazer muita coisa ao mesmo tempo e não conseguimos compreender totalmente a complexidade da liberdade que estávamos oferecendo ao jogador”, explicou Pagliarulo.

“E como isso poderia acabar quebrando tudo.”

O fator humano também pesou

Além da complexidade técnica, Pagliarulo destacou algo ainda mais simples e inevitável: as pessoas. Conforme o desenvolvimento avançava, o cansaço da equipe aumentava, e pequenos erros começavam a surgir.

Quanto mais o desenvolvimento avança, mais cansadas as pessoas ficam. Elas cometem erros”, afirmou.

“E quando você tenta corrigir esses erros, precisa ser extremamente cuidadoso. Às vezes, você muda uma linha de texto e algo explode em outro ponto completamente diferente do jogo.”

Esse efeito dominó tornou a fase final de ajustes especialmente delicada e contribuiu para que diversos bugs escapassem para a versão final.

Um motor gráfico já no limite

Outro ponto crítico foi a decisão de desenvolver Fallout 3 usando uma versão do mesmo motor gráfico empregado em The Elder Scrolls IV: Oblivion, lançado em 2006. Embora funcional, a tecnologia já apresentava sinais claros de desgaste.

Apesar das semelhanças na exploração em primeira pessoa, Fallout 3 introduziu sistemas inéditos, o que colocou ainda mais pressão sobre uma base técnica que não havia sido pensada para esse nível de complexidade.

VATS: genial no conceito, doloroso na execução

Um dos exemplos mais emblemáticos foi o sistema VATS, que permite pausar parcialmente o combate e atingir partes específicas do corpo dos inimigos. O recurso se tornou um dos pilares da identidade da franquia, mas deu bastante dor de cabeça à equipe.

O artista principal Istvan Pely revelou que, além dos desafios técnicos, havia dúvidas constantes sobre a aceitação do sistema pelos jogadores.

Passamos muito tempo nos perguntando se isso realmente era divertido, se valia a pena e se alguém iria usar”, comentou.

Outro obstáculo era a própria câmera, que precisava ser posicionada de forma clara durante as sequências em câmera lenta, algo que exigiu inúmeros testes e ajustes.

Remake ou remaster no horizonte?

Mesmo com todos esses problemas, Fallout 3 permanece como um dos títulos mais queridos da Bethesda. O jogo foi lançado em outubro de 2008 para PC, PS3 e Xbox 360, e segue relevante até hoje.

Embora ainda não exista um anúncio oficial, declarações recentes de Todd Howard indicam que um remake ou remasterização pode ser apenas uma questão de tempo. Vazamentos internos já apontaram para esse projeto no passado, mas, por enquanto, a Bethesda mantém silêncio.

Fonte: GamesRadar