Conflito envolvendo supostas retaliações contra desenvolvedores reacende o debate sobre direitos trabalhistas na indústria de games enquanto o caso avança para uma nova fase judicial.
A controvérsia em torno da demissão de desenvolvedores do aguardado Grand Theft Auto 6 ganhou um novo capítulo jurídico nesta semana, quando a Independent Workers’ Union of Great Britain (IWGB) apresentou uma solicitação de proteção temporária em uma audiência preliminar no Reino Unido. O sindicato pede que 31 ex-funcionários britânicos — e, segundo outras fontes, ainda três demitidos no Canadá — sejam readmitidos provisoriamente enquanto o caso segue para julgamento.
De acordo com a IWGB, as dispensas ocorreram em retaliação às tentativas de organização sindical dos trabalhadores, cujas conversas teriam sido realizadas em canais privados de comunicação. Para a entidade, essas interações estavam protegidas por lei e não deveriam ter motivado demissões. A solicitação de proteção cautelar visa evitar que essas pessoas percam renda, benefícios e, em alguns casos, até o direito de permanecer em seus países devido a questões de visto, enquanto o litígio principal não é decidido.
Do outro lado, a Rockstar Games mantém que o afastamento dos profissionais não teve vínculo com atividades sindicais, mas foi motivado por violações de confidencialidade. Segundo a empresa, material sensível sobre o desenvolvimento do jogo foi publicado em um servidor Discord que incluía participantes externos, o que, em sua visão, constitui uma violação grave das políticas internas. A publisher Take-Two reforça que temas de sigilo são críticos para proteger o valor comercial e criativo de seus projetos.
A disputa já ultrapassou as portas do tribunal: protestos ocorreram em frente às sedes da Rockstar North em Edinburgh e da Take-Two em Londres, reunindo ex-funcionários e apoiadores. Além disso, o caso chamou a atenção de figuras políticas no Reino Unido — o primeiro-ministro Keir Starmer qualificou os eventos como “profundamente preocupantes” e indicou que agências governamentais devem examinar as alegações de violação de direitos trabalhistas.
Se o pedido de proteção for concedido, os desenvolvedores afetados poderiam retornar temporariamente às suas funções e manter seus vínculos com a empresa até a decisão final. Caso contrário, o processo principal seguirá seu curso normal sem alterar o cronograma imediato das partes.
Fonte: IGN
