Ubisoft aposta em atualizações menores e “story drops”, mas críticas ao novo conteúdo levantam dúvidas sobre a direção criativa do jogo.
A Ubisoft finalmente esclareceu quais são os planos para o segundo ano de Assassin’s Creed Shadows, e a resposta veio direto do diretor associado Simon Lemay-Comtois. Em entrevista ao canal JorRaptor, o desenvolvedor confirmou que não haverá nenhuma expansão de grande porte no Ano 2, nada no nível de Claws of Awaji, DLC robusto lançado anteriormente. Segundo ele, embora o time continue trabalhando em conteúdo pós-lançamento, os jogadores devem esperar atualizações substanciais, porém menores e mais modestas quando comparadas aos tradicionais pacotes de expansão que marcaram outros títulos da franquia. Lemay-Comtois explicou que a ideia é oferecer um fluxo contínuo de novidades ao longo dos meses.
Isso inclui mudanças significativas em sistemas do jogo, ajustes de gameplay e, possivelmente, story drops com novas missões secundárias que expandem a narrativa. A abordagem se alinha com a estratégia recente da Ubisoft de manter seus jogos vivos por mais tempo, mas sem depender exclusivamente de grandes DLCs. O diretor destacou também que alguns conteúdos do Ano 2 terão “dimensões consideráveis”, mas reforçou: nenhum deles será uma expansão completa. Essa decisão coloca Shadows em um caminho diferente daquele seguido por títulos como Assassin’s Creed Valhalla ou Odyssey, que receberam expansões massivas que adicionaram novas regiões inteiras ao mapa.
Reação negativa ao crossover com Attack on Titan evidencia desgaste
Enquanto a Ubisoft planeja manter o jogo ativo com atualizações menores, o lançamento da colaboração entre Assassin’s Creed Shadows e o anime Attack on Titan mostrou que a comunidade está longe de estar satisfeita com os rumos atuais. Apesar de ser gratuito, o crossover foi extremamente mal recebido. Jogadores relataram decepção com a missão especial, que apresenta pouco mais do que trechos de escalada e deslocamento, sem qualquer batalha contra Titãs, algo visto como uma oportunidade perdida, especialmente em uma franquia que já lançou mão de confrontos com criaturas sobrenaturais como deuses e feras míticas.
O contraste ficou ainda mais evidente quando comparado ao conteúdo gratuito de Assassin’s Creed Mirage, Valley of Memory, elogiado pela comunidade por incluir uma nova região, cutscenes bem dirigidas e uma narrativa coesa. Criadores como Synth Potato destacaram que Mirage demonstrou um cuidado narrativo “que não se via há tempos” na série, enquanto Shadows entregou uma missão descrita como “sem inspiração” e “pouco polida”. A situação se agravou com o final da missão: ao concluir o crossover, os jogadores recebem um pop-up incentivando a compra do traje de Attack on Titan na loja interna, usando dinheiro real. O momento foi amplamente criticado e visto como anti-climático, levantando debates sobre decisões comerciais que atrapalham a experiência narrativa.
Com a confirmação de que Assassin’s Creed Shadows não terá expansões de grande porte no Ano 2, a Ubisoft parece apostar em uma abordagem mais fragmentada, atualizações menores, missões extras e colaborações pontuais. Contudo, a recepção negativa do crossover mostra que o desafio agora é reconquistar a confiança de uma comunidade que exige consistência, qualidade narrativa e experiências mais impactantes. Se a Ubisoft pretende manter Shadows relevante ao longo do tempo, os próximos conteúdos precisarão demonstrar mais do que boa intenção. A resposta do público deixou claro: não basta apenas atualizar, é preciso evoluir.
